Um brinde ao final dos tempos

 
- Utilizando crianças para realizar a sua política suja, imbecil?
- Todas as artimanhas valem a pena perto do final do mundo. Não é você quem impedirá tentando ser o oposto.
- Não há ninguém fora do barco. Nenhum 100% oposto. É isso o que eu quero defender.
- Menos cínico do que imaginei, querendo se aproximar da verdade.
- Não existem verdades. Existem tolos manipuláveis.
- Não ouse me culpar por saber como utilizar isso!
- O poder alcançado é medido pela quantidade de atrocidades que se é capaz de fazer.
- Pensar que crianças de hoje são como as de trinta ou quarenta anos atrás é um erro. São pequenas víboras. Lidar com elas é perigoso, pois caso se voltem contra você será um enorme problema de sobrevivência.
- Está ciente disso, mas... Não são todas as crianças assim.
- Ingenuidade sua. Estão sendo formatadas assim desde o berço. A ganância se manifesta desde o berço.
- A indolência é um obstáculo salvador para a ganância, embora inutilizem completamente os portadores.
- É disso que estamos falando! A política necessita dos gananciosos para controlar os indolentes. Quem está no meio, procurando algo parecido com justiça, como você, será completamente atropelado.
- A guerra nunca termina. Vivemos de batalhas. E posso ganhar algumas.
- Mesmo assim, durante a sua vitória temporária terá que lidar com as minhas cargas depreciativas, a burocracia criada para interromper ideias toscas como as suas que não trarão vantagem alguma aos grupos pequenos acostumados ao controle de tudo.
- Desistir de uma sociedade menos desigual é desistir de viver.
- Viver para quê? Produzimos zumbis preguiçosos, adoradores de migalhas para que o equilíbrio seja de acordo com as nossas normas.
- Essas normas são genocidas!
- É necessário descartar lotes de inúteis de tempos em tempos! É para isso que existem doenças incuráveis, desastres supostamente naturais, líderes religiosos assassinos... As coisas funcionam desse jeito. Acostume-se.
- Nunca irei me acostumar. Envelhecerei e experimentarei a humilhação de ser taxado como tolo pela maioria sacrificável, aqueles por quem tento lutar, a quem tento defender.
- Sinto muito por você. Os livros ensinam século após século, mas há cada vez menos quem os leia. Acreditam em coisas insanas, mas não enxergam a verdade a um palmo dos seus narizes, clara como um dia de verão!
- O que me resta fazer, nesse cenário apocalíptico?
- Pegue o seu copo, encha de uísque. Brindemos ao final dos tempos!



Marcelo Gomes Melo

 

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