Reflexão sobre a inutilidade das pretensões





          Em um mundo controverso, uma pitada de sal no tomate muda todo o cenário, e avistar o céu através de uma fresta aumenta a perspectiva aos olhos de quem anda sem solução.
          As sobras precisam ser valorizadas, sejam de alimentos ou de dignidade. O brilho que ilumina o caminho é o mesmo que cega e o desvia para um abismo.
          Há uma variedade de opções, embora todas impulsionem a um só caminho, e ninguém está apto a perceber antes que seja tarde, a não ser os considerados insanos, os tristonhos por natureza, os espontâneos que não combinam com os modelos comuns, colocados em prateleiras para exercer tarefas inúteis, desde que mantenham a enorme roda da existência girando, explorando as pequenas dores, os mínimos prazeres, as frustrações programadas para emprestar uma aparência viável a um mundo em ruínas.
          Uma pitada de sal no tomate mudo todo o cenário. Um sorriso torto ao alvorecer por trás de um cano fumegante de uma arma esconde o medo da solidão. A luta está no início? Os fins justificam os meios? Quem está apto a falar sobre coisas que realmente importam, como amor, consciência, caráter, sobrevivência?



        No fim dos tempos os tolos sofrerão menos enquanto os responsáveis pela derrocada humana não terão voz suficiente para implorar por perdão. Sem vias de mão dupla, serenidade é artigo de luxo. Companheirismo é diferente de união por interesse, a procura por cavernas é o oposto do que deveria ser no século das tecnologias. Os ideais mudam e uma pergunta permanece, se multiplicando em diversas outras: qual o significado da existência? Estamos encarcerados em um looping eterno, que repete as alternativas mudando os personagens e os papéis entre as mesmas pessoas?
          Se não há fim, queimaremos no mesmo inferno para sempre? O paraíso é inalcançável?



Marcelo Gomes Melo
 
 
 

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