Forças da natureza no controle do amor




          Eu quero que me ame quando eu menos esperar. Espero que me aceite da maneira como eu chegar. Necessito que me acolha sem perguntas, que me afague sem economia, que me olhe nos olhos com sinceridade, que não renuncie a mim.

          Eu sei que vou cuidar de você. E quero lhe surpreender quando menos esperar. Fazer seu olho brilhar. Afagar-lhe sem economizar, mergulhar os meus olhos nos seus olhos com sinceridade. Jamais renunciar a você.

          Nada funciona assim. Não há controle por parte do ser humano em nada que o afete. É uma ilusão completa acreditarmos que temos o poder de subverter as forças da natureza em nosso favor. Os sentimentos fluem inexoravelmente como os rios correm para o mar, e tudo o que todos fazem para alterar tal tranquilidade é poluir, secar, destruir.

 
          O que queremos, desejamos ou necessitamos quando se trata do coração, de amor é irrelevante. Não há coerência nos sentimentos bons; caso houvesse o mundo estaria repleto de psicopatas, frios e letais. As coisas acontecem sem a nossa participação, como passageiro de um trem sem freio; é aceitar os acontecimentos, e sobreviver, porque ninguém escolhe a quem amar, quando percebe o pau já está cantando, a briga de foice no escuro está em pleno curso, para bem e para mal.
          As forças da natureza parecem influenciar nos amores, nos estados de espírito, criando encruzilhadas, preparando o cenário e criando o clima específico para o surgimento e continuidade de cada amor. Ou não. Controlam as paixões enquanto, misericordiosamente, nos deixam acreditar em fantasmas, em sorte, em fatores místicos; mas não se engane; tudo está sob os auspícios da natureza, decidindo exatamente o que vai acontecer e de que maneira irá se desenrolar. A participação humana é apenas para estragar, destruir, não entender e lamentar.
 
          O planeta recicla a si mesmo eliminando o que lhe é nocivo através de catástrofes. Os amores também. E quando o ser humano compreender a isso, talvez seja mais feliz.
 
Marcelo Gomes Melo

Para ler e refletir

A lenda do Bom Tejipió           Embaixo do pé de cajá ao anoitecer, com uma lança comprida de ponta fosca triangular, cort...

Expandindo o pensamento