As adoráveis ondas de prazer que emanam de você


         Ando desalmado nos últimos anos, completamente alheio às cores do amor, ignorando os anjos ao meu lado, estrábico, daltônico, enxergando as coisas em um tom entre o cinza e o anoitecer de inverno sob estrelas insensíveis.

          Não sinto o perfume das flores como deveria, muito menos as dores das agulhas encravadas em meu cérebro.
          O intenso beijo arrasa quarteirão, destruidor das frustrações perenes já não me alcança, nem quando o rum acaba e o telefone toca. As mensagens não enviadas permanecem no compartimento do cérebro que brinca o tempo todo com as percepções sérias. E faz acreditar nas maravilhas para, no minuto seguinte mergulhar na tormenta marítima mais obscura e assustadora.
          É quando se acha que perdeu a capacidade de demonstrar amor porque é incapaz de enxergar o fulgor dos próprios olhos que eletrifica a todos ao seu redor.
          Não reconhecer a quem encanta é uma punição temporária, mas que pode eliminar completamente a autoestima, a vontade de conquistar e manter o seu domínio, o seu reino em um mundo catastrófico e indiferente.
          Nada é tão bom quanto o primeiro sorriso particular; aquele que ninguém mais viu, só o coração notou e anotou. É a razão para que eu ande um tanto desalmado comigo mesmo, e com as escolhas que me inibo em fazer.


 


         Essa atitude me faz sorrir quando estou sozinho. A combinação de voz rouca, reclamação por coisas banais, movimentos pra lá de sexy e ritmo. A conivência dela com o meu estilo sombrio de ser.

          A resposta imediata ao toque inesperadamente suave das costas da minha mão...

          Não posso ser maldoso comigo mesmo o tempo todo, tenho que me fazer concessões; é isso o que me faz reconhecer as adoráveis ondas de prazer que emanam de você!


Marcelo Gomes Melo

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