A guerra dos corações dilacerados por amor!



Eu não posso cuidar do seu coração dilacerado de amor que você diz ser por mim! Não tenho como dobrar a carga que suporto carregar assim, e afirmo que é egoísmo de sua parte!
Sequer pensou que também possuo um coração e que sofro da mesma patologia que você, e por você? Não consigo afirmar que o meu coração está mais dilacerado do que o seu, porque confio plenamente que a dor de amor que sinto jamais será superada pela dor de qualquer ser vivo no universo, mas posso entender que amor impossível magoa e tortura, mesmo que em nosso caso seja recíproco, embora complicado pelo impedimento imposto a nós dois pelas nossas consciências, pelas pressões que infiltramos em nós mesmos.
Não existe amor impossível, garota! Existe amor improvável, amor não aconselhável, mas ainda assim são amores indiscutíveis. Assim é o nosso, e discutirmos sobre a dor que cada um sente por não estar junto de forma plena é pura falta de senso, porque o equilíbrio escoa pelo ralo e passamos a debater quem ama mais, e a culpar quem é vítima das dificuldades de repartir a cada segundo esse sentimento puro e letal. O sofrimento vem agregado a essa volúpia que buscamos saciar a cada instante?
Quando nos tocamos a instabilidade termina, nossos mundos se fundem, e não há mais ninguém que pertença a esse nosso novo planeta, que exploramos com cuidado, fartando nossos corpos e pensamentos com experiências maravilhosas, inigualáveis e inesquecíveis. Mesmo assim consideramos insuficientes e estamos aqui tentando convencer um ao outro sobre quem sofre mais, e para quem é mais difícil controlar as impossibilidades e as distâncias, abraçando todo o risco em cada situação que criamos para finalmente ficar juntos.



Eu sei, minha mulher, que cada momento que dividimos é inesquecível, e todas as vezes em que urge nos separarmos, a angústia é indescritível, a ponto de colocarmos para fora como acusação. É por isso que digo sem medo de errar: não posso cuidar do seu coração machucado quando o meu está em frangalhos! Nos limitemos a misturar os nossos prazeres e produzir um bálsamo que, embora passageiro, alivie os nossos corações indelevelmente apaixonados!
 




Marcelo Gomes Melo

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