O amor proibido jamais será suficiente



          Todo mundo deseja um amor proibido para sofrer e ficar excitado, imaginar as mais quentes baladas, comer spaguetti frio no tapete da sala. Transar através do olhar, trocar insultos ao invés de beijar. Renegar os pecados ainda nem cometidos, tentar punir-se por pensar em coisas gostosas...
     Amores proibidos platônicos inserem novos viveres, realizações impossíveis que, por serem impossíveis aproximam-se perigosamente do real. Todo mundo guarda um amor proibido para sair da rotina, sentir o coração acelerado e as pernas tremendo, trocando olhares de supermercado, sem razão de ser, quando se olha por olhar, mas por dentro...
    Amores difíceis com canções insistentes tocando nos momentos mais inapropriados, situações embaraçosas sem que o resto do mundo o saiba, mas o medo de dar bandeira é enorme, mesmo que não haja a mínima chance, a não ser que os mesmos se denunciem. O amor de faz de conta jamais será suficiente, diz a canção, porque no fim tudo se torna real, e ao tornar-se real compromete todos os desejos, modifica todas as chances e o jogo prossegue, causando sorrisos e decepções, intrigando por ser eterno, resistindo aos séculos, provocando casais, espalhando memórias que durarão uma vida inteira mantendo acesa a lanterna da esperança de que algo finalmente se complete; mas aí deixará de ser proibido.



Marcelo Gomes Melo


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