Negociando os valores do amor



- Você é briguenta, mas é minha.

- Não sou!

- Não é briguenta?!

- Não sou sua. Nem de ninguém!

- É minha, sim! Tenho um documento para provar.

- Documento?! Você é louco!

- Comprei você dos seus pais, que já não lhe aguentavam mais.

- Insano! Você vive em que século?!

- Comprei e paguei caro. Pertence a mim.
- Os meus pais me amam, jamais fariam uma loucura absurda dessas. Jamais precisamos de dinheiro a esse ponto!
- Não paguei em dinheiro. Paguei em ações.
- Ações?! Você é completamente doido! Desde quando é negociante da Bolsa de Valores?
- Ações de amor, de boa vontade. De caridade.
- Começou bem, mas logo desandou! Ação de caridade?! Eu fiz caridade aceitando você!
- Rs...rs...rs...
- Está rindo de quê?!
- Comprei uma fera selvagem. Ainda bem que tenho um chicote.



- Você vai ser um proprietário morto, se insistir com essa imbecilidade!
-  Comprei as apólices do seu amor por mim, foi isso. E paguei com o meu incalculável amor por você, que, à época valiam trilhões, fora os juros. E hoje os valores multiplicaram-se em libra esterlina, tanto que nem sonho em avaliar!
- ... Na verdade... Eu comprei você!
- O quê?! Você...
- Sim, senhor! Eu adquiri a sua patente.
- Rs...Comprou a mim? Você! Rs...
- Exatamente. E foi assim...


 

Marcelo Gomes Melo

 

Para ler e refletir

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