Considerações sobre a sala de aula ideal. Visão estritamente matemática


           Argumenta-se sobre a sala de aula ideal para professores e alunos. Da parte dos professores, uma quantidade menor de alunos, que possibilite maior atenção a cada um deles, objetivando sanar ao máximo suas dúvidas e orienta-los na aprendizagem é uma solução bastante cogitada.

          Eis que uma série de pequenas aleivosias matemáticas a respeito foram informalmente debatida entre representantes do raciocínio exato durante simpósio de quinze minutos na sala dos professores. Vamos a elas:

          Com cinquenta alunos por sala de aula, e cinquenta minutos de duração para cada aula, haveria, teoricamente, um minuto de atenção individual por aluno. Durante esse minuto o aluno exporia sinteticamente as suas dúvidas e inquietações sobre o conteúdo e receberia as valiosas observações do professor, facilitando o seu caminhar rumo ao desenvolvimento das atividades pelo restante da aula.

          É óbvio que outras variáveis devem ser levadas em conta até alcançarmos um resultado; por exemplo, retire dos cinquenta minutos iniciais uns três para a locomoção do professor pelos corredores e blocos até a sala de aula, com passos constantes, sem interrupções pelo caminho. E mais dois para que todos se ajeitem em seus lugares e foquem a atenção no mestre, tornando possível o início da aula. Subtraia  mais cinco minutos do total para a realização da chamada e mais cinco de interrupções para advertências a brincadeiras inadequadas, discussões por causa de material, pedidos para ir ao banheiro e perguntas fora de hora. Perde-se, portanto quinze minutos dos cinquenta. Mas não faça a conta ainda, porque há mais variáveis, embora todas não sejam levadas em consideração, ou transcenderia o tempo limite.

          As instruções iniciais e colocação do conteúdo na lousa, através do uso do data show, computador ou qualquer outro tipo de tecnologia, mais abertura de cadernos, livros, e orientação quanto às atividades consomem cerca de vinte e cinco minutos, acrescentando mais cinco para que o professor aplique uma breve reprimenda aos que “esqueceram” intencionalmente ou não o material em casa, ou o perderam, ou destruíram.

          Sensacionalmente é possível ainda calcular o tempo de orientação individual que o aluno receberia por aula. Dos cinquenta minutos restam ainda preciosos cinco, que divididos igualmente entre os cinquenta daria... Seis segundos para cada um! Excelente!

          Esse tempo aumenta eventualmente em caso de ausência de alunos, mas, querendo acelerar o desempenho, basta adquirir o espetacular “governamental turbo teacher”, ensinando mais com menos, multiplicando os segundos de atenção individual e assegurando a perfeição. Brincadeirinha... Tocou o sinal e acabou o intervalo.

 

                                            Marcelo Gomes Melo



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