A alameda por trás das cortinas


Eu sou o anjo por trás das cortinas, velando o seu sono
Sou o maldoso inocente que amassa os lençóis com você embaixo
Depois fica deitado, as mãos entrelaçadas atrás da cabeça, pensando
Em como a vida pode ser perdida em hesitação
E vivida em angústias, delícias e “nunca mais” eternos
Acho até que desmaio quando passo do ponto, porque deixo de ver
E só sei repetir que tudo o que não é você é inutilidade.
Às vezes escureço de amor como um figo
E as maçãs, enrubescidas são comidas com a maior das fomes
A gula do século...
O anjo por trás das cortinas não é cético, é completamente
Desprovido de noção

As armações dos mortais são tão... Ilusórias.


Marcelo Gomes Melo

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