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Deliberadamente rebelde


Dá-me farpas para

Destituir a glória

Desse amor doloroso

Insatisfeito

 

Insatisfeito ao ponto

De incriminar o que sinto

Julgar e definir o que tenho

E desintegrar as mágoas

 

Unilateralmente

Eu desidrato de amor

Em campo aberto

Queimando sob o sol

 

O céu que me cobre

Não cobra o que me aquece

Esse amor amoral

Imortal, ri do meu desespero

 

                                   Marcelo Gomes Melo

 

Pequena nuvem, o amor irrestrito

 

       Minha pequena nuvem, quantos nevoeiros tenho atravessado durante uma vida inteira apenas para poder assistir, ao amanhecer, você suplantar o sol como um algodão doce delicioso que gruda em meus lábios e mantém o sabor eternamente, me alimentando durante as intempéries que lhe impedem de vir, e ser o meu teto perfeito, protetor e gentil.

        Saiba, pequena nuvem, que as noites de lua sem nuvens não me atraem, porque o véu que você proporciona, a lua é apenas mais uma senhorita nua, sem atributos suficientes para encantar como você!

Estou preparado para voar acima de você e saltar sem paraquedas para aninhar a minha vida entre os seus flocos macios, convidativos em que posso sonhar, sorrir e amar até que o mundo determine e recomece.

Nesse caso poderemos habitar uma ilha brasileira distante, com águas azuis e verdes, cristalinas, um leve odor salino e um vento morno que espalhará os seus cabelos em meu rosto. Você, pequena nuvem, é o verdadeiro amor irrestrito.

 
 

                              Marcelo Gomes Melo

Para morrer de tristeza...


 

         Para morrer de tristeza...

Para morrer de tristeza é preciso estar apaixonado, de verdade, durante a eternidade. É necessário discernir, mesmo cercado pelo que é nublado, a própria ineficiência em controlar esse amor.

Para morrer de tristeza é preciso estar completamente perdido entre os tremores do seu corpo, inebriado pelo perfume dos seus cabelos. Urge aguentar todo o sofrer sem subterfúgios, lutar para conservar a sanidade ante atitudes que só acontecem entre amantes, domar a insanidade para cavalgar nas noites de lua cheia, o suor escorrendo pelo corpo, a paixão se esvaindo e se regenerando.

Suportar as dores, rebelar-se, causar desconfortos em troca, perceber a loucura de um amor recíproco, atordoante, capaz de causar ferimentos constantemente, e ainda assim desconsiderar imediatamente, pelos momentos inesquecíveis, os pequenos gestos que demonstram atenção infinita às necessidades um do outro, independentemente das contendas selvagens e ciumentas que movem montanhas e cortam os céus com relâmpagos vorazes e trovões deslumbrantes.

Ao arrepio da pele, à sensibilidade de cada toque, à consciência de que nada vai terminar, porque é amor de nunca mais. E ao prolongar-se a distância e a frieza é definhar sem conserto, morrer a conta gotas, de tristeza pura, sem remédio.

Para morrer de tristeza é preciso desconectar-se dos sonhos por causa da incapacidade de apenas pensar na possibilidade de não mais possuir o amor, que agora é dúvida, embora não o seja.

Duvidar do amor é a arma mais letal existente. Eu estou morrendo de tristeza.

 


                      Marcelo Gomes Melo

Para ler e refletir

Ode à destruição

  É verdade que eu quero matar. Matar os covardes mentirosos que caminham sob o sol distribuindo sorrisos falsos, enganando sem culpa ...

Expandindo o pensamento