Tu, dono das carcaças corroídas espalhadas em torno de teu caminhar
Acrescentai piedade ao rol de tuas incapacidades! Cuidai manter o teu olhar fundo ao longe, no horizonte interminável
Vertei sangue das jugulares de teus inimigos, sem esforço, esgotai os limites sem perceber os seus olhares aterrorizados e insisti em reforçar os teus comportamentos aterrorizantes
Sim, filho do nada, estendei a tua capa escura como instrumento para encampar todo o azul de uma só vez, imiscuindo horror indiscriminadamente!
Eles não sabem de si! Eles não sabem de ti! Naturalmente irrisórios, atribuirão a ti mais poderes do que os tem, então certifica-te de que os seus assombros aumentem a cada ciclo e acreditem piamente na própria incapacidade de lutar, e defender-se jamais será opção
Sim, tu, filho do agonizante, carregas consigo uma aura de destruição que exterminará qualquer poesia no âmago
E, paradoxalmente serás, tu mesmo, poesia inigualável, comunicando através do não-verbal, pensamentos entranhados profundamente em cada um desses seres desprovidos de valor
A dor... Ah, a dor é incalculável, embora permaneça como o menor dos problemas. O real problema é o início. Do fim.
Marcelo Gomes Melo



Nenhum comentário:
Postar um comentário
Seu feedback é uma honra!