Quem
são esses exibicionistas do vazio Para
saber que o que move os verdadeiros amantes Nada
mais é do que os segredos elegantes Prazeres
cheios Sob
a lua minguante E
a antiguidade experiente do amor.
Marcelo Gomes Melo
Os
ossos. Agora você é uma mulher!
Me doem os ossos quando
lhe vejo assim: linda, jovem, inteligente e tão sem capacidade de aprender as
benesses que a natureza oferece.
Me arrepia a pele quando você rechaça a ajuda das pessoas à
sua volta, que lhe amam e se importam com você além dos limites.
Sua filosofia pessoal de não precisar dos outros em
hipótese alguma cai por terra logo que haja experiência, porque a juventude dá
a falsa impressão de infalibilidade e força, mas ninguém é uma maldita ilha!
Todos, mais cedo ou mais tarde precisarão de ajuda, e isso não é demérito para
pessoa alguma. Humildade é o ponto de partida para a sobrevivência e
felicidade. Perca seu tempo retribuindo com amor e preocupação, carinho e
agradecimento e verá como a vida se abre e tudo fica menos difícil.
Me doem os ossos por ter que reparar a ausência de realismo
de sua curta vida com palavras duras, mas necessárias. Raciocine em grupo,
pense nos sacrifícios feitos por todos os que lhe amam incondicionalmente, para
lhe ajudar, não por obrigação; por vontade. Por amor.
Reconheça os seus
enganos, apague o egoísmo e lembre-se de agradecer pelo mínimo que cada um
possa lhe oferecer, em vez de exigir mais, sem pensar no que é viável; no que é
possível. Pense em quem você vem ajudando, a quem você já ajudou e por que
raios ajudou, se é que ajudou. Caso tenha ajudado foi pensando em futuros
benefícios?
O egoísmo da juventude é natural até certo ponto. O ajuste
de caráter por parte dos familiares é obrigatório. E o preparo para ouvir e modificar
as atitudes exageradas, que podem levá-la ao isolamento, vital.
Pode ser duro ouvir tais verdades nesse momento, o que até
lhe leve às lágrimas, com ódio ou decepção, e isso é ótimo, pois significa que
ainda há em você sentimentos suficientes para entender o que vem causando às
pessoas que lhe amam: mágoa e decepção. Isso vai passar. O fardo que insiste em
carregar sozinha já está dividido entre todos, e assim que se permitir a
perceber isso se sentirá mais leve. E a leveza de espírito é o passo mais largo
em busca da felicidade suprema.
Pense sempre assim, refaça seus conceitos sempre que
possível, ou reforce os que estão corretos. Ame da mesma forma que é amada,
deseje com a mesma intensidade com que é desejada e releve as pequenas falhas,
principalmente as suas.
Agora você é uma mulher.
Marcelo Gomes Melo
O
covil das mulheres armadas
Ruas em preto e branco,
noite espalhada e fria
Quando me enrosco em um conhaque da cor dos
Olhos da perdição, e sigo pensativo e encoberto
Pela capa de luzes mercúrio, disfarçando a
Escuridão eterna.
Trata-se da sensação
das mãos na blusa de seda
Deslizando firmes, ignorando botões e zíperes
Que ficam pelo caminho, abertos, desprovidos de função
Sou um ser finito de desejos eternos, inspiração profunda.
Falas aveludadas mal
rompem o silêncio de copos com
A cor do absinto, cubos de açúcar
Pontas dos dedos em torno do umbigo, suavidade urge!
Descendo, lutando, mais botões, mais zíperes.
Engolindo em seco,
lábios que enceram e dão brilho
A música dos lordes acelerando as necessidades
Afiançando as possibilidades
Um alucinado por controle fervendo entre
Algodão e pele.
Afastando o antinatural
com as pontas dos dedos
Sobrepostos pela língua lasciva, adocicando seus pelos
Voraz, contumaz, enlouquecedoramente
Movendo-se em círculos, penteando, intercalando
Os suspiros.
Até o fim, esfomeado,
através de uma névoa
Que me dizima os pensamentos puros
Até o enfim, mordendo, sorvendo e me
Deliciando. Até o fim em busca
Do covil das mulheres armadas!
Marcelo
Gomes Melo
Lenda
urbana III: Jerimum e a Doidinha do Shopping Center
A Doidinha era uma
garota aparentemente comum, magra, baixa, de seios pequenos, quadris estreitos,
olhos enormes como um personagem de mangá, os cabelos cortados curtos, estilo Maria
homem. Essas características lhe davam um aspecto bem mais jovem do que
realmente era.
O que não era comum é que ninguém jamais conseguia ver
completamente o seu rosto, a não ser que se transformasse em uma de suas
vítimas. E esse olhar era o último antes de garantir a passagem só de ida para
as profundezas dos infernos...
A nossa doidinha era uma menina inocente nascida no
interior de Minas Gerais que até os treze anos de idade jamais havia visto o
mar. Tímida, nunca levantava os olhos para falar com alguém, sempre exibindo
aquele sorriso abobado dos inocentes. Era hiperativa, não parava quieta. Vivia
correndo de um lado para outro, tropeçando nas coisas, mexendo, tirando do
lugar, derrubando...
Aos treze foi morar no Rio de Janeiro com os tios ricos no
Leblon. Viu o mar pela primeira vez e ficou encantada. A tia lhe comprou batom
e alguns biquínis floridos, sexy, e soltou a doidinha sob o sol carioca, com
espaço na praia para correr e se bronzear.
A menina falava pouco, mas corria muito pela praia,
sorrindo bastante, driblando as cadeiras de praia com agilidade, chupando
picolé... Uma representante da felicidade; com o mar em si, ela mantinha certo
respeito. Não gostava de ir além de molhar os tornozelos. Temia o mar.
No fim da tarde saía da praia e se preparava com esmero,
sempre de shortinho colorido e top para ir ao shopping. Tinha uma aparente vida
social intensa, sem ter amigos, conversar com qualquer pessoa. Estava sempre no
bolo, sorrindo, dançando, circulando, sem falar com pessoa alguma. Era
conhecida por todos, mas ao perguntar se já ouviram o som de sua voz, a
resposta seria “de jeito nenhum”.
Cinco anos depois já
podia ser considerada uma ratinha de praia e shopping, conhecendo os meandros
tanto de um quanto de outro lugar. Foi
nessa época que ela conheceu Jerimum, um paraibano musculoso, lutador de jiu
jitsu, baixinho troncudo que tinha várias tatuagens de seus ídolos da família
Gracie no corpo.
Jerimum também falava pouco, rezava muito; nordestino introvertido
que treinava muito para ser um astro do MMA. Não tinha família e vivia na
praia, de sunguinha branca, treinando na areia. À noite ia para o shopping
passear, tomar açaí, sempre sozinho. Ele e a doidinha se esbarraram nos
corredores e dali nasceu uma amizade especial, com pouco papo, muito sorriso e
bastante isotônico e treinamento duro, porque Jerimum passou a treiná-la nas
artes marciais. A doidinha ficou forte e ainda mais veloz, uma potência letal
das lutas, mas manteve-se ingênua e de coração bom, porque Jerimum assim o era.
As agruras da vida começaram por bobeira. Um garoto
surfista, conhecido como Alemão, cabelos loiros e longos, ensebados e
emaranhados, de tronco largo, mas pernas finas, gente boa que entrou na fila do
equilíbrio sobre a prancha muitas vezes, mas esqueceu de ir à fila do cérebro,
sempre que encontrava com Jerimum o chamava para pegar uma onda. Jerimum não
gostava de água, viera da terra seca, nem sabia nadar, então abaixava a cabeça
e nunca dizia nada.
Um dia, o garoto surfista perguntou, na frente da doidinha,
se ele, um nordestino fortão e cabra macho do MMA estava com medo de pegar uma
simples onda e acabar tomando uma vaca na frente da namoradinha. A doidinha o
segurou pelo braço, com expectativa e preocupação, mas nada falou, como sempre.
O surfistinha sorriu debochando e começou a caminhar com a
turma em direção ao mar, mas Jerimum endoidou. Foi atrás e tomou a prancha das
mãos do surfistinha, correndo decididamente para dentro do mar, em busca da
onda perfeita, enquanto todos berravam e a doidinha observava apavorada.
Jerimum, macho
desbravador que não tinha medo de nada, começou a golpear as ondas como numa
luta de vale tudo, achando que venceria pela força, mas a cada metro mais fundo,
mais era arrastado e bebia água salgada com xixi e coliformes fecais. Nunca
surfara antes, e não seria dessa vez que o faria. Cansado, as forças foram o
abandonavam e Jerimum largou a prancha e começou a abanar os braços, desesperado,
enquanto afundava aperreado.
A doidinha, sem medo correu para o fundo do mar, tentando
buscar Jerimum; outros surfistas também tentaram salvá-lo, mas Alemão
permaneceu na praia, de longe, sorrindo da burrice do paraibano.
Nenhum dos dois se salvou. Morreram afogados, Jerimum e a
doidinha, e só foram encontrados dias depois em outra praia, os corpos
inchados, caranguejos saindo de dentro das bocas e vermes dos olhos,
substituindo os globos oculares.
A tragédia rendeu muitas matérias nos jornais e entrevistas
nos programas “mundo cão” das tevês. Todos tiveram seu minuto de fama,
inclusive Alemão, o surfistinha, que informou à jornalista que Jerimum tomara
sua prancha, e ele nada pudera fazer contra o bad boy lutador.
Naquela noite um vento gelado percorreu toda a praia, à
meia noite. Apesar do calor absurdo de 40 graus, por quinze segundos as pessoas
pensaram estar na Islândia.
Justamente naquele instante, Alemão saía da última sessão
de cinema no shopping, sorridente e tranquilo. Acabara de assistir ao
blockbuster “O último suspiro”.
Antes de dar o fora entrou no banheiro, espalhou os
cabelos, sorrindo para o espelho. Abriu a porta de um dos banheiros. Um vento
gelado percorreu o ambiente, enregelando-lhe até a alma. Alemão se encolheu,
batendo os dentes, amaldiçoando o ar condicionado do shopping. Ficou com
dificuldades até para respirar, uma névoa escapando por sua boca entreaberta,
os lábios roxos. Deu um passo para trás e pensou ter visto um vulto pequeno e
escuro, muito veloz para ter certeza. Um sorrisinho baixo e maligno o fez
estremecer. O vulto passou por ele dançando, como um bólido. Seus olhos se
arregalaram e seus dentes se arreganharam do mais puro medo.
O fedor que atingira seu nariz em cheio era fruto das
necessidades naturais se manifestando, escorrendo pelas suas pernas finas;
Alemão defecara. O que ele acabara de ver foi a doidinha, girando em torno dele
sem parar, à velocidade da luz. Tremia de medo, o surfista, a voz não saía! Por
dez segundo ela parou e segurou seu rosto com os dedos frios e compridos em
garra, colocando o rosto a centímetros do dele. Os buracos em que deveria haver
olhos mostravam-lhe o porão dos infernos em chamas; do nariz, vermes saltavam,
penetrando em sua boca e orelhas.
De repente, um golpe seco na canela. Dobrou-se de dor, mas
não emitiu som algum. Fratura exposta. Uma mão gelada agarrou-lhe a nuca e o
atirou para dentro do banheiro com violência. Bateu a cabeça no vaso sanitário,
abrindo uma enorme brecha. Sangue negro escorreu abundantemente. O nariz
quebrou enquanto a poderosa mão em sua nuca insistia em golpear o vaso
sanitário com sua cabeça. Um crac e o joelho da outra perna partiu-se,
inutilizando ambas as pernas. Dentro do banheiro um verdadeiro fog londrino;
fumaça branca e gelada.
A cabeça ensanguentada
foi mergulhada no vaso, a água invadindo-lhe a boca, as narinas estouradas e
enchendo-lhe os pulmões. A sensação de morte que lhe acometeu foi tão completa,
que ele achou que encontraria a paz. Mas, paz não era o seu destino. A mão
puxou seus cabelos, arrancando sua cabeça de dentro do vaso. Ouviu um sussurro
inocente em sua orelha sangrando, que dizia: “Esse é apenas o seu ticket para o
inferno. Vai sofrer por toda a eternidade”...
A partir daí mãos potentes o espancaram sem dó, com força
total. Foi impiedosamente moído de pancadas! Seu último suspiro foi um engodo.
Morreu aqui na Terra, mas seu sofrimento mudou de nível. O cheiro de carne
queimada; os urros de dor; o som de sangue se esvaindo e secando imediatamente.
Socos, Murros. Porrada. Dor. Para sempre!
O dia seguinte no shopping foi de horror indescritível.
Mais jornalistas e programas sensacionalistas pressionando a polícia, querendo
saber como uma morte daquelas ocorrera em um shopping sem que ninguém notasse.
Não havia sequer um osso inteiro no corpo do garoto. Parecia uma minhoca
esmagada. Especialistas disseram que foi o maior sofrimento sentido por alguém
em todos os tempos. Moído de pancadas, afogado, inúmeras paradas cardíacas...
Até hoje a Doidinha busca vingança pela morte de Jerimum.
Conta-se que ambos costumam aparecer nos banheiros dos shoppings após a última
sessão de cinema. Aí tudo pode acontecer!
Marcelo
Gomes Melo
Cenas da vida no Planeta Terra em um futuro
distante
Pacatos cidadãos da
civilização pós-nuclear do nossoaltaneiro país, venho hoje aqui, despido de orgulho e repleto de
humildade ante a vossa valorosa e digníssima presença, atrapalhar a vossa
importante concentração matinal a caminho de seus trabalhos honestos que lhes
garante a sobrevivência tranquila acima da linha da pobreza atual, o que lhes
coloca hierarquicamente em posição dominante sobre a casta dos miseráveis
excluídos sem razão de viver, à qual me incluo.
Irmãos da bondade infinita, é confiando nessa
característica especial inerente às vossas pessoas que me coloco aqui, nesse
aerotrem especial, em pé em frente às vossas pacíficas e inteligentes faces,
sem vestimenta especial e muito menos aparelho para reposição de oxigênio
reserva, para o caso de alguma falha no casco da nave colidindo com algum
meteorito nessa viagem matinal à lua, local em que vocês, com tanta capacidade
realizam seus portentosos trabalhos, de importância vital para a colonização do
satélite, possibilitando que mais planetas sejam descobertos, colonizados e
mais moradias para os mal aventurados como eu.
Caros terráqueos de
família milenar como a minha, mas que conseguiram adequar vossas capacidades às
novas necessidades com destreza e merecimento nesse século XXXVI, pós Era dos
pastores dignitários presidentes, ao contrário de mim, pobre coitado de casta
inferior a quem a sorte não bafejou e hoje apela para vossos corações de
titânio de última geração, que lhes proporciona viver bem mais e melhor, por
bombear pelos seus corpos saudáveis sangue e micro-organismos de regeneração
constante das células, que me ouçam por mais alguns macro segundos lunares, o
que nessa órbita equivale a uns sete minutos na contagem antiga de tempo.
Senhoras e senhores da diretoria plasmática sensorial,
pretendo afirmar aqui, tocando com a palma da mão direita no aparelho detector
de mentiras espacial instalado em cada um desses trens espaciais por nosso
amado governo, entendido na arte de mentir e na de detectar a mentira alheia,
que sou honesto, trabalhador, pai amoroso e marido colaborador; caridoso e
fanático doador de boa percentagem do que consigo amealhar como prova de fé e
camaradagem.
Eu sou engenheiro de
formação. Desempregado ainda antes da Quarta Guerra Mundial, após curtir o
seguro desemprego do nosso amado governo tentei formar minha micro empresa de
carrinhos de cachorro quente, mas fali quando o governo proibiu o uso de
proteína animal e derivados, bem como o glúten; além disso, os carrinhos não
podiam atrapalhar a circulação pela calçada dos três trilhões de habitantes da
Terra à época. Entendi, e falido, durante a guerra fui motorista de ambulância
no front, carregando soldados vitimados pelos gases venenosos inimigos, usando
apenas luvas de boxe e uma máscara de gaze. Eis a razão pela qual tenho uma perna
paralisada, perdi o olho e minha voz soa ligeiramente metálica, graças ao
dispositivo que recebi do INSS para instalar na garganta e recuperar
parcialmente as cordas vocais.
Pois bem, irmãos amigos, nada disso me parou, e hoje estou
aqui dignamente lhes pedindo uma valiosa colaboração e ajuda para sustentar
minha família, adquirindo essas balas e chicletes de legumes frescos, sem
açúcar ou sal, maléficos à saúde, contendo o elemento magma 12, retirado dos
vulcões do planeta Vênus e que ajudam a polir os dentes de ossos de
brontossauros jovens inquebráveis da lua de Saturno que todos vocês usam e que
os fazem tão belos! Tenho também chocolate azul sem cacau ou aditivos que
prejudiquem a visão, com flocos de jiló puro. Aceito cartão de crédito e
dinheiro vivo. Tenho gaiolas para manter o dinheiro vivo confortável em meu
bolso, não se preocupem.
Quem puder me ajudar, Deus abençoe; quem não puder, abençoe
da mesma forma. Saibam que lhes desejo em dobro tudo o que tão gentilmente me
desejarem. Logo,logo serei ejetado para o próximo meteoro terminal de trens,
então me despeço emocionado com a vossa contribuição. Fui!
Marcelo
Gomes Melo
Pérolas
do Brega Nacional I: ”Mulher feia vem comer pastel”
O Movimento Brega Nacional é eterno! O termo brega abrange todo o
cancioneiro que se encaixe nos moldes ultrapopulares, tanto no estilo das
letras simples, com linguagem regional, quanto nos temas sofridos, como
traição, morte, perda e situações bizarras, maliciosas e engraçadas, cujos
grandes representantes são idolatrados e preservados para sempre no coração dos
fãs.
Muitos dos “astros” de movimentos temporários da música
brasileira, ao cumprirem o seu período de enganação midiática implorarão para figurar
no panteão dos deuses do brega, mas terão que se confirmar com o ostracismo,
porque não é qualquer “Zé Torneira e
Pingo D’Água”,“Tadeu e Tadando”,“MC Bumbum Gordo” ou “Rabiola Colorida” que se eternizarão
na música popular como os exemplos aqui citados, dentre um firmamento inteiro.
Caso se lembre de algum gênio da poesia elementar brega, não hesite em
contribuir para a construção da Mansão
Cultural Popular com um tijolinho. Vamos a eles:
“Carro hotel/Banco-cama/A
gente ama/Olhando o céu!”Bartô Galeno;
“Você é a
ciganinha/Dona do meu coração/Não tenho sangue cigano/Mas vou pedir a sua
mão/Hoje a noite eu vou/Falar com seu pai/E quero saber/Se ele concorda? Com o
casamento/Entre eu e você/Mas estou pensando/Que ele não vai/Aceitar nosso
plano/Só porque/Eu não tenho/Sangue cigano”.Carlos Alexandre;
“O acidente/Tão de
repente/Acaba toda a alegria de alguém/É nessa hora/Que a gente vê/Não vale
nada o dinheiro que se tem”.Amado
Batista;
“O que é bom tá
guardado/O que é bom tá guardado/Mas só dou a Chico Véio/Porque é meu namorado”.Genival Lacerda;
“Ó
mulher feia vem comer pastel/Ó mulher feia vem comer pastel/Mulher feia não é
pipa/Mulher feia é réu/Mulher feia sai à rua/E escurece o céu”.Ornitorrinco Sertanejo;
“Pare de tomar a
pílula/Pare de tomar a pílula/Porque/Ela não deixa nosso filho nascer”.Odair José;
“E não há nada/Em
você/Que eu não ame/Sou metade sem você/Mon amour/Meu bem, ma femme”.Reginaldo Rossi;
“Tico é um gato/Que a
Maria quer bem/Não dá, não troca/Não vende/Nem empresta pra ninguém/Tico tem um
defeito/Que não dá pra consertar/O Tico é danado pra miar/Tico mia na sala/Tico
mia no chão/Tico mia na cozinha/Tico mia no fogão”.Sandro Becker;
“E
ele alisava, alisava o danado dela/E ele beijava, beijava o danado dela/Ele
cheirava, cheirava o danado dela...”.Zenilton;
“Fuscão Preto/Você é
feito de aço/Fez o meu peito/Em pedaço/Também aprendeu matar/Fuscão Preto/Com o
seu ronco maldito/Meu castelo tão bonito/Você fez desmoronar”.Almir Rogério;
“O homem nasce sem
maldade/Em parte nenhuma do corpo/O homem é lobo do homem/Isso explica a
viadagem congênita/E a baitolagem adquirida/Homem é homem/Menino é
menino/Macaco é macaco/Político é político/E veado é veado”.Falcão;
Essas poesias do dia a
dia, escritas e cantadas pelos mestres do chapéu de boi são dignas de registro
e louvor, pois refletem a originalidade e a criatividade da população
brasileira. Ao ouvir o brega você, inevitavelmente perceberá de onde as grandes
duplas, trios e quartetos de hoje em dia chuparam a “inspiração” para as
canções atuais; com a diferença de que, agora eles se levam muito mais a sério!