Psicopata sanguinolento



        Suado na madrugada calorenta, janela do quarto aberta para receber a brisa suave no décimo sexto andar, que não aparecia, acessei o meu laptop, que era a única luz disponível no ambiente. Abri o e-mail e avistei a mensagem na tela, sem remetente, assustadora de uma maneira inexplicável, pois poderia ser apenas um spam que atravessou o filtro, cliquei rapidamente, apreensivo, para ler a mensagem realmente bizarra: “Eu vou matar a sogra da sua esposa, não adianta chorar. Prepare-se”.

         Gelado, olhei à minha volta, inquieto, trêmulo, os olhos revirando-se nas órbitas, mesmo sabendo que estava sozinho no recinto. Uma canção macabra começou a soar em meus ouvidos ininterruptamente, aumentando psicologicamente a sensação de terror, quase inexplicável.

             
          Primeiro era imperioso descobrir, decifrar a mensagem implícita, que me deixou confuso: quem era a sogra da minha esposa? A cabeça doía de tanto pensar!

        
         Levantei-me e fui buscar água para me acalmar e umedecer os lábios secos. A luz acesa na cozinha me mostrou algo surreal: a minha roupa branca parecia uniforme de açougueiro completamente ensanguentada. Novo susto! Por que estava daquele jeito, coberto de molho de tomate?!

          
        Em meio a essa situação absurda lembrei-me de outra coisa; eu não era casado! A mensagem não podia ser para mim!

         Como um zumbi on crack caminhei passo a passo em direção ao quarto. Pareceu uma eternidade. Da porta do meu quarto pude observar o ursinho de pelúcia e a panela de pressão, presentes para a minha mãe... Não lembrava da faca de desossar sanguinolenta ao lado dos presentes.



           Ao acender a luz, meus globos oculares quase explodiram e o som de sirenes passaram a tocar dentro do meu cérebro alucinadamente. Do lado oposto de onde eu me encontrava, atrás da cama enxerguei um par de pés esticados, cobertos de sangue, as sandálias com as quais, ano passado presenteei...

          Um estrondo derrubou a porta do meu apartamento e policiais fortemente armados caíram sobre mim e me algemaram. Eu não fazia ideia do que estava acontecendo, então urrei e me debati, até que me espancaram e perdi os sentidos.

          - Elemento suspeito detido, repito. Suspeito detido. Ao lado da cama jaz um corpo feminino, provavelmente seja a mãe do indivíduo. Solicito equipe da polícia científica. Detivemos o psicopata que aparentemente envia e-mails para si mesmo antes de cometer os homicídios.




Marcelo Gomes Melo

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