Conselho para corações jovens



          Ah, então você chegou aos dezoito! E sendo assim deve estufar o peito e pensar, garboso como um cavalo jovem e bem tratado: “Agora eu vou fazer o que eu quiser!”.
        Bem, legalmente isso pode até ser verdade, em que pese jamais acontecer plenamente na realidade. Não se ache o único, todos passaram, passam ou passarão pelo mesmo pensamento e situação.
          A liberdade total aos dezoito implica alguma argumentação fria sobre poder fazer o que desejar a partir daí, e o início é que você não tem um emprego! Não tendo um emprego você não pode alcançar a liberdade plena porque não conta com suporte financeiro próprio. Como irá fazer o que quiser dependendo dos seus pais, morando na casa dos seus pais e continuando a necessitar de provimento paterno para vestir, se alimentar, estudar, sair com a namorada?
          Com dezoito primaveras você pode se julgar completamente livre, mas como fazer o que quiser sem levar em consideração as pessoas que tornaram possível a você alcançar tão valorosa e especial idade? A não ser que o vírus da ingratidão tenha se espalhado pelo seu ser a despeito de toda a cobertura divina que lhe acompanha?
          Você arranja uma namorada e, felizes fazem planos e curtem para valer, e isso anula a possibilidade de fazer o que quiser. A sua vida passa a ser definida em dupla, e nem sempre o que você quer será levado em consideração. Logo raciocinará e fará a si mesmo a pergunta crucial: “Vale mesmo a pena fazer o que quiser? Ou esse pensamento é só um perfume que lhe inebria em algumas situações.



         Um filho surge, e nesse instante você sofre um choque definitivo: não há, até o final de sua vida, como fazer o que quiser. A liberdade plena não existe individualmente, a não ser nesses breves momentos em que a ingenuidade juvenil sugere que é possível ser uma ilha, intocável, imune a influência externa grandiloquente pela própria natureza.
          Aos dezoito você pensa radical, quer viver desamarrado, mas logo percebe que estar solto da nave significa perder-se no espaço escuro para sempre.
          Os que não percebem se cobrem de egoísmo e destroem a si mesmos e aos que os cercam, São um cometa em destruição com uma cauda em chamas, prejudicados pela ação irresponsável de quem se recusa a amadurecer.



Marcelo Gomes Melo

Para ler e refletir

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