O amor em pandarecos








          ...E eu via aquelas pessoas dispersas, um tanto aterrorizadas, descontentes, infelizes, atônitas, defendendo bandeiras patéticas com promessas de futuros felizes, magoadas ou cínicas, tentando se proteger dos horrores causados pela caçada ao tesouro da paixão perdida.
          Todos, a seu modo, acreditavam que seriam eleitos os seres certos para concretizar suas ilusões instantâneas que garantiriam felicidade perpétua.
          Observando aquela extensa população protegido na minha torre de marfim, quase acreditei que não fazia parte da trupe de imbecis induzidos a acreditar na possibilidade de colar os pedacinhos das desilusões amorosas, criando um mapa que os guiaria direto às parcerias certas, ao amor perfeito, à vida ideal.
          Parece ser assim que acreditam fugir à rotina, arriscando tudo por um novo amor, dessa vez o último, a cura para todos os ferimentos anteriores.
          É uma imensa tolice, vista de longe; mas quando estamos inseridos ao contexto é bem mais complicado. Pode-se concluir que o tempero para vidas sem graça, existências vazias e problemáticas, incensadas por falsas alegrias e ideologias, nada mais é além do amor. Sim, é o tempero mais óbvio do universo! Não o amor correto, completo, pois esse é o amor inalcançável, quase impossível. O que vale mesmo é o amor em pandarecos, colados com fita adesiva, que misturam prazeres e sonhos com tristezas e perdas sem fim.
          E é desse modo que a caravana do imaginário faz o tempo passar, tramando aventuras inesquecíveis e recuperações particulares incríveis.



          Viver é criar um enorme painel circular, com colagens que se interligam e garantem a existência do universo e de todas as espécies que nele vivem e atuam. Divino, não?



Marcelo Gomes Melo

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