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Poesia recitada - Cecília Meireles – Canteiros


 

Quando penso em você, fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa, menos a felicidade
Correm os meus dedos longos, em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego já me traz contentamento

Pode ser até manhã, cedo claro feito dia
Mas nada do que me dizem me faz sentir alegria
Eu só queria ter no mato um gosto de framboesa
Pra correr entre os canteiros e esconder minha tristeza

Que eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza
E deixemos de coisa, cuidemos da vida,
Pois se não chega a morte ou coisa parecida
E nos arrasta moço, sem ter visto a vida.

 

                                      Marcelo Gomes Melo

Absence of Pain and other stuff (Ausência de dor e outras coisas)


 

Absence of Pain and other stuff

 

"There are no miracles in the absence of pain
Only a spark of self-deception".

 

"I sang stronger love for the nymph of the smiling eyes
As I passed completely dominated by the fury of
Waters under the serene cave.
Scratched with their own nails his imperial name
Rescuing the deep pain and perpetuate it on the walls
Moist and relentless, and in my thinking.
Sang the most beautiful songs even while he could not hear
My voice and the powerful waters hurtful my face
Pushing my shoulders down.
I sang to win and so will continue until the end of my days! ".

 

"The desolate village.
The emptier void in the ample space of nowhere.
The pace forgotten cushioned feet.
The moons. Stops the two. The observe the misrule of the tides
That influence.

And I, fighting fish, live constant torment
I do not want hook. I do not want the icy waters of the deep.
But moons balance between on the one hand to the other
Seeking balance to not find more reason to resist. "

Ausência de dor e outras coisas

 

"Não há milagres na ausência de dor

 Apenas uma centelha de autoengano".

 

"Eu cantei amor mais forte para a ninfa dos olhos sorridentes

Ao passar completamente dominado pela fúria de

Águas sob a caverna serena.

Riscaram com as próprias unhas seu nome imperial

 Resgatando a dor profunda e perpetuando-a nas paredes 

 Úmido e implacável, e no meu pensamento.

 Cantou as mais belas canções mesmo quando não podia ouvir

 Minha voz e as poderosas águas machucam meu rosto

Empurrando meus ombros para baixo.

Cantei para vencer e assim continuarei até o fim dos meus dias! "

 

"A aldeia deserta.

O vazio mais vazio no amplo espaço do nada. 

O ritmo esquecido pés almofadados. As luas. Pára os dois. 

A observar o desgoverno das marés Essa influência.

 

E eu, peixe lutador, vivo um tormento constante

 Eu não quero gancho. Não quero as águas geladas das profundezas.

Mas as luas se equilibram de um lado para o outro

Buscar o equilíbrio para não encontrar mais motivos para resistir. "

 

                    Marcelo Gomes Melo

 

Mário Quintana - A Rua dos Cataventos


 

A Rua dos Cataventos

Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.

Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.

Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arrancar a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!


 

                        Marcelo Gomes Melo

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