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Imortalidade programada


Nos dias de hoje morrer vai além dos trâmites naturais, que são avisar aos parentes e amigos, cuidar da burocracia, ajeitar as coisas, saber das despedidas curtas, poucas pessoas em um velório simbólico, orações, consolo à uma distância segura, enterro e cópias da certidão de óbito para os que puderam aparecer para prestigiar, sem fazer parte do grupo de risco, obviamente.

Em seguida o isolamento de todo dia, as lembranças encapsuladas para poucas pessoas, aglomeração zero, se possível. Lide com a sua depressão e adquira outra como brinde.

Não é possível tentar seguir a vida, pois você está estagnado, preso virtual e presencialmente, interna e externamente, engolindo o choro, os gritos e as lamentações, pois ainda há muitos outros vivendo à beira do despenhadeiro emocional, e falar da perda pode acabar causando muitas outras.

E cabe muito bem lembrar de que a pessoa se foi, mas está eternizada nas redes sociais, e os perfis permanecem ativos, recebendo mensagens, textos, emojis de quem jamais a conheceu pessoalmente e/ou não sabe do acontecido.

Aos vivos, além de procurar o equilíbrio para continuar sobrevivendo  entre quatro paredes, sem espaço ou oxigênio suficiente, remoendo as dores, sorrindo o sorriso profissional e o sorriso digital, fingindo que a vida continua para quem está vivo, mesmo que não seja verdade, buscando forças onde não há, ouvindo teorias e acusações em um tiroteio sem fim, sem ter firmeza de caráter de ninguém, sem poder confiar em  ninguém, muito menos nos que se encarregam de espalhar oficialmente a verdade que os interessa.

A morte continua pairando nas redes sociais, e até que os perfis sejam deletados o cadáver sorridente parece vender a ideia de que a vida é bela e não há o que temer, pois todos os agentes virtuais são felizes, perfeitos e competentes. Todos ostentam e reagem à ostentação que acreditam enxergar em alguém que já esteja morto.

Os fantasmas da era da internet das coisas, e da internet dos corpos permanecem nas ondas sem fio mesmo após deletadas, com os restos de suas informações arquivadas pelos softwares das grandes corporações, que vigiam e preparam um programa de vida compatível com o status da pessoa, para controlar os seus hábitos e faturar com as informações obtidas.

Talvez não habitem algum arquivo morto digital, no qual permanecerão até que seja possível reativá-los e voltar a enriquecer com algo que eles, mesmo mortos, possam voltar a proporcionar, nunca se sabe; afinal o trabalho nunca para, e provavelmente estejam investindo em zumbis virtuais, para que os vivos invistam as suas posses na esperança de um retorno via holograma ou coisa que o valha.

Ninguém morre definitivamente mais, na Era dos desalmados milionários que transformam sentimentos em código binário, fé em programas quânticos preparados para lucrar e nada mais. Isso é futuro em doses letais.

 Marcelo Gomes Melo

Danos colaterais e a imensa muralha do término


O ano de 2021 começou estranho como era de se esperar. As estações do ano trocadas, chuvas fortes arrastam bens materiais e vidas como se tivessem o mesmo valor. Danos colaterais, afirma a mídia, sem nenhuma credibilidade, um dos focos de corrupção que atuam como sustentáculo para as forças obscuras sobrenaturais que adquiriram o caráter e a honestidade dos mais altos mandatários, que venderam tudo a preço de banana e defendem uma mudança brusca de valores pessoais e coletivos, uma aceitação tácita às novas regras que apagam religiões do mapa, transformam gêneros humanos e os multiplicam, e apoiam a eliminação de bebês como forma de contenção da humanidade.

Todas as outras ordens são igualmente pensadas para a produção de um novo tipo de humanidade, controlado física e humanidade, dispostos a aceitar como natural as novas imposições e apoiar o chamado “novo normal”. Os jovens são um livro ainda mal escrito, facilmente transformados e convencidos, guiados para o caminho sem retorno planejado para eles sem contestar, acreditando, pela total falta de experiência anterior que algo melhor já houve, e os pais foram incapazes de repassar o conhecimento para eles. Agora estão morrendo por isso; adultos inúteis para a nova ordem universal, que tem sido projetada lentamente, como um carro com arranque de balsa, mal percebida pela população em geral, mas agora acontece velozmente, e interfere com indiferença na vida dos distraídos, dos acomodados, das vítimas em geral, a maioria a ser sacrificada para a solidificação de novos dogmas que irão reger as gerações com as mentes mais putrefatas de todos os tempos, ignóbeis seres incapazes de se importar sequer com eles mesmos, onde o egoísmo é parte do DNA, mas não tem tanta força para mudar o destino desses seres toscos que serão as novas gerações de escravos, alimento para o ódio e diversão dos poderosos ainda mais irracionais e cruéis.

Um ano iniciando, com destruição e hipocrisia, depois com a destruição dos hipócritas por uma casta ainda mais tacanha, que mata por indiferença, desmotivados e sem rumo, sem nenhuma autoestima e nenhuma qualidade visível ou oculta.

Agora, ladeira abaixo, um carrinho de rolimã sem freio descendo a ladeira sem asfalto, cheia de pedregulhos, chegando ao destino em frangalhos. Nem por isso se importam, são apenas danos colaterais necessários, pois o aumento de população desmedido passou a requerer mais do que medidas ditatoriais.

Morte simples, lavagem cerebral, abandono das leis de convivência em troca de uma nova vida mais obscena, mais indiferente, onde o final é aterrorizante e ninguém se importa.

É o ano em que nada importa, e tudo foi reciclado, todos foram reciclados perdendo o contato com a própria essência. Um novo mundo em que os que ficam são programados para durar menos, por isso leis não se aplicam. Tudo o que for bizarro e inaceitável será imposto goela abaixo.

Esse é o ano em que não haverá retorno. Todos seguirão em alta velocidade até se chocarem com a imensa muralha do término.

    Marcelo Gomes Melo

O que chamam de paz e não passa de escravidão

Se está à procura de paz, prepare-se para a guerra. A batalha invisível que lhe oprime silenciosamente através de pequenas obrigações sem as quais estará excluído de determinados benefícios, ou ajuda institucional. Determinadas ordens que você cumpre como se fossem obrigatórias seguindo o fluxo, porque a maioria o faz sem questionar, e quem questiona acaba sofrendo as consequências, julgado sem provas, humilhado e diminuído como ser humano, ao ponto de ser atacado pelos seus próprios pares, que não chegam a perceber que estão abraçando parte importante deles mesmos ao punir um dos seus em nome de argumentações vãs, esfarrapadas e ilusórias.

A paz não pode ser garantida com um lado dominante e outro dominado; isso não é paz, é escravidão. A maioria cumpre as ordens de uma minoria privilegiada em troca de migalhas mal distribuídas que os atiçam a brigar entre eles, dividindo-os ainda mais em nichos assustados e facilmente controlados.

Preparar-se para a guerra é demonstrar força de opinião, argumentação clara e apoio da maioria, fazendo-os pensar duas vezes antes de dominar pelo poder de ferir, ameaçar e até mesmo matar.

Impedir a alienação constante da maioria, posicionando-se com pés  firmes no chão e músculos tensos, olhares atentos, argumentos afiados, fará com que a paz torne-se mais plausível através da equivalência de forças. É o medo que atua como mediador nessas questões, e o temor mútuo obriga a pensar muitas vezes antes de burlar uma regra ou abocanhar uma fatia maior, aumentando o espaço de domínio, e com isso o comando das decisões mais sangrentas.

Todas as decisões de guerra acontecem quando uma das partes se julga poderosa o suficiente para impor suas regras, incluir tacitamente os seus desejos, e oprimir cada vez mais com intenção de tirar o espaço, as forças e a resistência do oponente, reduzindo-o a algo desprezível e plenamente destrutível, sem contestação, em nome de algo que nunca reconhecerão: escravatura.

O ideal é saber como equilibrar tais forças, e o armamento crucial para isso é o conhecimento, o poder de argumentar e compreender os meandros do que leva ao comando total de tudo o que os cerca, incluindo vidas humanas, descartáveis ao modo simples como enxergam as coisas.

 Marcelo Gomes Melo

Para ler e refletir

Ode à destruição

  É verdade que eu quero matar. Matar os covardes mentirosos que caminham sob o sol distribuindo sorrisos falsos, enganando sem culpa ...

Expandindo o pensamento