Quem vai saber dos que habitam os pântanos...



          
          A serra encerra os segredos mais profundos; segredos milenares que saem para passear envoltos na espessa neblina, invisíveis, ocultos, sussurrando para ouvidos moucos todos os resultados do que hoje é mistério, todas as histórias que permanecem lendas, incutindo um déjà vu que volta e meia atormentam aos seres humanos, e os fazem, do nada sentir culpa, ou prazer, alegria, pesar...
          Quem poderia saber o que vai no pensamento daquele que atravessa a neblina e rompe a antes impenetrável serra? O que se passa em seu malfadado cérebro durante aquele período? Estaria ele preso, encaixotado entre mundos, equilibrando-se desesperadamente para decidir o lado da balança que o fará pender, sem ter a mínima consciência disso. A um triz da eternidade enquanto reclama das contas e demais banalidades que encurtam a sua vida.
          Deveria ser assustador poder ouvir e entender os murmúrios da serra como um presságio, ou mais, um julgamento que produziria loucos e resignados, mais loucos do que resignados, contrabalanceando o equilíbrio que mantém essa enorme feira planetária em aparente falta de ordem em um movimento que levaria à extinção.
          Finalmente alguém poderia citar que a massa de extinção, tal e qual fênix, ressurgiria em novas serras, com mais neblina, e novos seres, que passariam os seus períodos de vida questionando-se a respeito da inteligência universal, seres superiores, benéficos e maléficos, provável extinção... Enquanto inconscientemente vão repetindo os mesmos erros, alterando o ambiente de maneira atabalhoada e reclamando rotineiramente até enfrentar a balança que dita as regras entre a neblina, cruzando a serra.


 


Marcelo Gomes Melo

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