A política do “Faça o que eu digo, portanto faça o que eu faço”


              O Brasil é o maior país da América Latina. Também é o mais promissor dentre todos em termos de desenvolvimento. O Brasil é o eterno país do futuro já faz 50 anos ou mais!
          O nosso país é o mais rico em recursos naturais e em possibilidade de enriquecimento pessoal e coletivo. O ufanismo é oferta da casa, embora as ações contradigam completamente esse falso “brasileirismo”.

          Enquanto o nacionalismo é vendido pelos novos astros com sorrisos e frases de efeito, esses mesmos astros desconhecem que estão vestindo, dos pés à cabeça produtos estrangeiros, agindo como cowboys como se isso fizesse parte de nossa cultura interiorana; do campo mesmo apenas o analfabetismo congênito provocado pela falta de cuidado do governo educação e cultura, transformado erroneamente em humildade, quando nada tem a ver com isso. Colocam idiotas deslumbrados para falar das raízes; mas não as nossas, as raízes de outros povos.


        O Brasil tem uma mania de grandeza absurda para quem sofre com tanta desigualdade social. Essa mania se espalha inclusive pelos que ostentam sem ter nenhuma condição para isso, vendendo o almoço para comprar o jantar, mas fazendo o que mais lhes importa: contar vantagem.

          Não se pode esquecer que possuímos os políticos mais corruptos do mundo, uma imprensa despreparada em sua maioria, por ser formada por ex-jogadores, artistas e outros picaretas que desconhecem os princípios do jornalismo porque não estudaram para isso, enfraquecendo uma área de suma importância para uma sociedade evoluída.


          E o ponto crucial, embora politicamente incorreto, que é o fato de sermos um país de gente mal educada, desrespeitosa e fútil. Não se trata de pobreza nem de falta de cultura, que fique bem claro, mas de educação. De achar desnecessário respeitar as normas de conduta social. Não importa se são ricas ou pobres, as pessoas parecem ter vergonha de utilizar com frequência palavras preciosas como ”por favor,”, “com licença” e “muito obrigado”; se acham no direito de usar o wi fi do vizinho, carregar uma “criança” de dezoito anos no colo para furar a fila, ou usar os avós idosos que mal se aguentam em pé para utilizar o caixa eletrônico antes dos outros.

          Uma nação que ignora as regras de boa educação, que ofende com linguajar chulo e em altos brados em lugares inadequados, que usa celulares e fuma em locais proibidos, proclamando a si mesmos como sinceros, originais e autênticos, de forma que ignorância pareça sinônimo de autenticidade.

          Um país de superlativos engana a si mesmo em grandes proporções. Essa grandiloquência facilita os tombos homéricos, ludibriados pela própria falta de noção e humildade.


         Resta criar um antídoto para isso. Um antídoto realista e verdadeiro, não mais delírios estrondosos que jamais darão resultado. Já é hora de passarmos das reclamações sem fim, apontando os mesmos erros que todos conhecemos, da crítica inócua e evasiva para ações diretas que resultem em melhora imediata, mesmo que pequena.

          Como conseguir isso? Praticando o que pregamos, individualmente. Criando a política do “Faça o que eu digo, portanto faça o que eu faço”.


Marcelo Gomes Melo

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