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The Lady of losting loves


 

Spreading my wings like an angel over the city 

 

Eyes on you lady of the precious dreams 

 

My effort is immense to keep distance 

 

You cover the distance way home 

 

What are you thinking about? 

 

My knife is my memory full of thorns 

 

The only angel in here, lonely as a detective 

 

Hearing jazz drinking wisk 

 

The roads doesn't scare you 

 

Why? They are dark, there's no light 

 

You don't know about me on the edge of the town 

 

You don't know about your life 

 

Lady of losting loves 

 

Wasting your time, tired 

 

You think about me, you love me 

 

And that keeps you shine 

 

But sadly you don't have any clue why 

 

I am a solitary angel between worlds 

 

Waiting for you on an eternal mode 

 

 

 

     A senhora dos amores perdidos 

 

Abrindo minhas asas como um anjo sobre a cidade 

 

Olhos em você senhora dos sonhos preciosos  

 

Meu esforço é imenso para manter distância  

 

Você percorre o caminho de volta para casa  

 

O que você pensa sobre? Minha faca é minha memória 

 

cheia de espinhos  

 

O único anjo aqui, sozinho como um detetive  

 

Ouvir jazz bebendo wisk  

 

As estradas não te assustam  

 

Por quê? Elas são escuras, não há luz  

 

Você não sabe sobre mim na periferia da cidade  

 

Você não sabe sobre a sua vida  

 

Senhora dos amores perdidos  

 

Perdendo seu tempo, cansada Você pensa em mim voce me ama 

 

E isso te mantém brilhando, mas, infelizmente, você não tem 

 

ideia do porquê  

 

Eu sou um anjo solitário entre mundos 

 

Esperando por você em um modo eterno 

 

 


 

 

         Marcelo Gomes Melo

Badalando os sinos que anunciam o fim


Sincero. Morto pela sinceridade desnecessária, patológica, aquela que passa a ser rudeza pura, desprovida de charme, o caminho para a perda de popularidade, a transformação em inimigo público número um, tipo desagradável que fala o que é dispensável, que muitos pensam, mas jamais ousam dizer, porque seria suicídio social.

Nojento. Daqueles assassinados pela frescura que irrita, a indisponibilidade para o mínimo de escrúpulo de esconder a enorme e desagradável atitude de não gostar de nada, reclamar e revirar os olhos, atrapalhando a paz do entorno de sua indelicada figura, que não gosta daquilo, odeia isso, não suporta assim, não aceita assado... A imagem da chatice por através de todos os poros.

Egoísta. Absurdamente voltado para os próprios desejos não interessa a quem tenha que destruir e atropelar para garantir as necessidades que só atendem a si mesmo. Trapacear, ludibriar, enganar não têm significados negativos, ao contrário, são qualidades cultivadas friamente, sem sabor, para não ter que dividir com ninguém mais. Nem com aquele ser estranho no espelho.

Cruel. De uma forma dolorosa. Com olhos oblíquos de maldade e sorriso de tubarão, salvando com a mera possibilidade de causar desconforto, ansiedade e estranheza contínua, transformando o ambiente para quem o cerca em terreno hostil. Sem caridade, sem empatia, dono de uma morbidez patética.

Letal. Pronto para afastar do caminho a quem quer que ouse, querendo ou não, ficar entre ele e o objetivo. Mira a todos como alvos descartáveis e não hesita em implodir mentalmente ou explodir descaradamente aos seus competidores. Não tem parcerias, não aceita e nem oferece ajuda. Expõe insensivelmente apenas para saborear o fim do opositor. Vive para degustar a dor. Um solitário capaz de se automutilar para sentir a emoção da morte de uma parte, mesmo que seja a sua.

Esse é o esquadrão de seres viventes que formam a maioria em uma sociedade decadente. Mentirosos que pregam o oposto do que são. Empatia são pílulas de veneno, as quais distribuem entre sorrisos falsos; bondade são balas de alto calibre que carregam as próprias metralhadoras para disseminar a dor escorregando em rios de sangue pegajoso e vermelho, enegrecendo à medida em que esfria.

O dom dessa época é destruição. Que não sobre ninguém, pregam os heróis do horror universal, mortos-vivos nocivos em uma paródia deles mesmos, badalando os sinos que anunciam o fim.

 Marcelo Gomes Melo

 

Sobre a sede por imortalidade


Da sacada do prédio, os pobres parecem formigas. Da cobertura são todos esmagáveis sem uma razão necessária, como medo ou asco. Eles não conhecem o viver lá embaixo, não têm noção do preço de um pão, raciocinam em milhões e suas mentes matemáticas não incluem emoções além da excitação de faturar alto, arriscar alto com a vida dos outros, manipular, criar regras que as limite.

Da cobertura do prédio o céu é mais azul e o mundo é diferente. Eles exorcizam os próprios demônios com rituais absurdos que envolvem a morte dos pobres. Planejam ganhos, inserem cálculos complicados que os dirão a quem eliminar, quantos matar e a porcentagem segura a manter vivos, sob controle, como futuro sacrifício em caso de necessidade.

Com esses sacrifícios enriquecem mais, aprendem mais a controlar, dominar e extinguir ao seu bel prazer. Um ponto ainda os incomoda, entretanto: eles ainda envelhecem como todos os outros, não importa o que façam, o que tentem. Envelhecem, murcham como flores, e a ganância continua, não parece diminuir nem secar como os seus corpos decrépitos ao sol da cobertura ao lado da piscina.

Os olhos. Assombrosos, lúbricos, parecem não pertencer aos corpos. São uma entidade à parte, assim como o cérebro, que funciona como um computador cuja memória foi inserida com toda a maldade e maquiavelismo que uma alma pode suportar.

Eles não enxergam os pobres como seres humanos, mas como formigas. Vermes. Esmagáveis. Tudo para manter a sua sede por imortalidade. O preço a pagar para continuar a existir é irrisório, caso consigam.

É assim que se vive no planeta das águas. Ilhados na terra, cercados por todos os lados, procurando dominar a tudo o que desejarem, sugar do planeta poder suficiente para suportá-lo. Desafiam descaradamente, com ódio para encobrir o medo. Recusam-se a reconhecer que o planeta é inacabável, enquanto todos eles apenas habitam uma cobertura, facilmente demolível. Sim, há um fim.

 


                    Marcelo Gomes Melo

 

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