Papo de motel. O que não se espera.



- E agora?
- O que quer fazer?
- O que faremos?
- Mais sexo? – sorriso triste.
- Eu não esperava que fosse assim. – sorriso igualmente triste.
- Assim como?! – olhar de curiosidade.
- Bom!
- Eu jamais duvidei! – sorriso irônico – Então resolveu arriscar? Veio por curiosidade?
- Não! – enfática – Eu quis dizer que não esperava que fosse tão bom!
- Não confiava na nossa conexão? – tom de surpresa sutil
- Eu não sabia em que confiar! – explicação suave – A vontade venceu a hesitação! Nunca achei que algo passageiro pudesse alcançar tanta intensidade.
- Passageiro? – confusão no olhar.
- Não era assim que pensávamos desde o começo? – surpresa.
- Era?!
- Não sei, me diga! Não tenho esse tipo de experiência.
- E eu tenho? Nunca me envolvi em casos de uma noite, se é o que pensa.
- É difícil de acreditar! – sorri sem maldade – Você parece saber como agir, digo, muito educado, inteligente, carinhoso e sexy.


- Isso é um currículo digital de garoto de programa? Coroa de programa. – Sorriso tenso, incomodado.
- Não, desculpe, estou me sentindo uma adolescente a essa altura da vida! Pareço patética com essa dificuldade em me expressar?
- Hum... Acha estranho querermos mais?
- É como se fôssemos vítimas de uma peça muito bem arquitetada.
- E daí? Só nos resta deixar fluir, não acha?
- Muitos obstáculos surgirão de agora em diante.
- Sim. Não há o que fazer se foge ao nosso controle. Passo a passo, driblando dificuldades...
- Controlando o incontrolável?
- Quem se apaixona assim, em um encontro desses?
- Posso citar uma ou duas pessoas – sorriem e se abraçam, forte.
- Como iremos viver agora, longe um do outro?
- O novo mundo começa agora. As reações emocionais provavelmente irão nos açoitar...
- E como iremos superar?
- Por enquanto venha cá... Vamos descobrir isso bem de perto. Muito perto. Dentro...


 
Marcelo Gomes Melo

 

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