Sobre essa mulher

 
        Ela não para de se movimentar em torno do meu inconsciente, provocante, seminua em uma dança malvada que arrepia o meu corpo, hipnotizando minhas forças de autopreservação.
        Nessa dança do ventre sensual envolve os meus escrúpulos, desmorona a minha percepção da realidade e acalenta os desejos que mal consigo conter.
          Essa mulher sorri claramente, um violino afinado para entoar a canção mais sexy do mundo! Move-se como um general comandando exércitos, tomando os meus espaços, acoplando-se em mim para adquirir energia total, me pagando com paixão e ação. Em via de mão dupla alimentou o meu corpo através dos meus poros, possibilitou-me atuar de maneira dinâmica, questionando os seus movimentos com golpes bem aplicados, fortes, fundos, inclementes... Doces.
          Ela é aquela que fala e emociona, se emociona e fragiliza por segundos a si mesma para saber como é a proteção infinita a cada vez em que resolver se deixar cobrir com os braços poderosos do meu sentimento.
          A afirmação de que ela é capaz de se imiscuir em cada sonho, cada sabor que eu possa vir a sentir é absurdamente indiscutível; ela pode o que quiser. E me encanta a cada murmúrio, me arrebata a cada carícia, me delicia a cada beijo...
          Quando firmamos os pés e nos abraçamos, eu e essa mulher nos tele transportamos para um mundo diferente, feliz, silencioso, abençoado. E esse mundo nos pertence.



Marcelo Gomes Melo

Civilização em movimento autodestrutivo




               É estranho para quem, de repente, percebe que tem história para contar, que viveu determinada época que hoje faz parte da história, participou de ações que mudaram a sociedade e criaram novos dogmas que à época pareciam comuns e hoje ditam comportamentos.

          Essa estranheza se dá porque tal percepção equivale a reconhecer que envelhecemos. Citamos acontecimentos de há trinta anos com conhecimento de causa enquanto a juventude que nos cerca apenas ouviu falar. Isso significa que somos mais experientes e sábios ou meros seres ultrapassados?
               Os novos desígnios da juventude nos soam absurdos porque estão calcados na agenda da mídia contaminada que distorce fatos para estender a lavagem cerebral rapidamente, e faz parecer comuns atitudes dantescas, principalmente para nós que envelhecemos.
          Sobreviveremos o suficiente para lutar contra a nova configuração ou sucumbiremos a ela, ficando marginalizados, tratados como a um móvel antigo, superados e ignorados, inclusive desmerecidos por quem segue o enterro sem ter conhecimento adquirido, mas busca cavar um novo túnel para viver segundo as próprias regras, mesmo que sejam toscas e tortas, e, na nossa visão envelhecida os levem a uma derrocada completa, ou venceremos a guerra para manter os velhos hábitos após o nosso desaparecimento físico, como por exemplo modelo familiar, importância religiosa. Noções de convivência, ética e responsabilidade?
              Civilizações somem. Dinossauros e outros animais foram extintos. Dogmas viraram objetos de estudo e controvérsia. Estamos envelhecendo e defendemos a bagagem intelectual adquirida como molde indiscutível para viver com qualidade, no momento em que as novas gerações escolhem maneiras diferentes das nossas, e que aparentam ser nocivas e destrutivas. É assim que caminha o mundo, em potencial força de autodestruição inigualável. Quem viver, verá.
 


Marcelo Gomes Melo

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