“Vagar, como as ondas do mar”



Os olhos dela acabaram comigo.
Olhar de coragem, olhar de apego
Marejados.
O queixo dela, erguido orgulhosamente
Me dizia para ir
Enquanto o corpo, o olhar...
Acabaram comigo.
Esfarraparam o meu coração de gelo.
Algo que eu julgava não ser vitimado jamais
Agora, aqui, sob essa imensidão de estrelas
Minha prisão
Ela não me permite morrer
Então vou vagar
Como as ondas do mar
Até acabar...
Os olhos dela me desestabilizaram.
Não posso deixar de sorrir
É irritante o quanto ela está inserida em mim
Como uma agulha em um viciado
Arame farpado em um cercado...
Tudo suave como veludo e seda
Jamais saberei se é término ou recomeço
Reconheço.





Marcelo Gomes Melo



O Sem fim para mim


Você descansa o meu corpo
Clareia a minha mente
Acalanta os meus devaneios
Eu que sou um dissidente
De Eras profundas, antigas
Docemente acaricia as minhas
Cicatrizes doloridas
É uma interrogação para
A minha imaginação sombria
Traz calor para o sangue
E um frio na barriga
Causa indolência, torpor
Acho que engana por convicção
É algo imparável, imutável
Transforma-me em vítima
Mesmo sendo eu caçador
Ilustra a minha vida com
Pinturas silvestres
Mas injeta em meu paladar
O seu sabor viciante
Ninfa das marés sangrentas
O sem fim é você para mim


 

Marcelo Gomes Melo

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