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A imagem que as pessoas criam de si mesmas, o amor e a fé cega



              É incrível como funciona a imensa roda do universo, partindo do ponto de vista de nós, seres humanos, aqui no planeta Terra. Nada do que fazemos ou pensamos parece realmente real; existe uma verdade individual, a visão que temos e formamos de nós mesmos, e a maneira que imaginamos como somos vistos pelas outras pessoas.
          Essa imagem pública tem mudado através dos tempos. É como as celebridades se comportam ou são induzidos a se comportar para chamarem a atenção do público e conseguir criar polêmica suficiente para que funcione como um coletor interminável de dinheiro e, consequentemente influência social. Poder. Políticos criam uma imagem pública de cordeiros, representantes reais do povo inculto e ingênuo, mas com enormes tendências corruptas, capazes de criticar a maneira como seus eleitos roubam, mas praticam pequenos assaltos diários, desvios de conduta e ética aos quais perdoam descaradamente em si mesmos, embora não nos outros.
          A imagem criada para vender ao resto do mundo é sempre perfeita, ou beira à perfeição, ao mesmo tempo em que precisam demonstrar tolerância a aberrações para serem considerados modernos e aptos a liderar uma vanguarda cada vez mais bizarra, valorizando a qualquer coisa que gere e multiplique dinheiro e fama. Os donos dessas imagens plastificadas de si mesmos sabem disso, e utilizam a ajuda de consultores para produzir uma imagem atraente e ideal para fisgar a maioria imensa da população, o que é muito mais simples hoje em dia com a velocidade do alcance das redes sociais. Para influenciar pessoas basta coragem e cara de pau, porque há milhares de imbecis dispostos a seguir qualquer coisa; idolatrar de carrinhos de bebê a pedras preciosas, de drogas alucinógenas a espaçonaves.



          Hoje todos sabem e comentam a respeito do que costumam chamar de “fake”, mesmo que não saibam o significado da palavra em seu idioma; não é um problema nem traição utilizar-se de uma imagem pública totalmente oposta ao que se é na realidade. Ou no que se imagina ser.
          Além da imagem pública, existe a imagem particular, que corresponde ao que a pessoa acreditar ser e parecer. Quando se olha em um espelho é o que ela vê, e pensa que todas as outras pessoas as veem assim também. Essa imagem é o sonho de cada um tentando se concretizar, e envolve apenas excelentes valores; então todos são lindos, magnânimos, justos, felizes, coerentes, amorosos, ricos, saudáveis, generosos... Quase santos. Os defeitos são esquecidos no fundo do baú. Aliás, ninguém parece reconhecer que têm defeitos, de mau hálito a cleptomania, de mau humor a covardia, de burrice a traição.
          É por isso que, quando alguém sente atração por outra pessoa, jamais é pela razão que a outra pessoa imagina. Ela pode tentar exercitar as maiores virtudes que pensa possuir, sorrindo sensualmente, contando as maiores mentiras sobre como se é inteligente e acredita na paz mundial, suprir todas as necessidades materiais, espirituais ou sexuais e apostar que são as razões para ser amado verdadeiramente, e no final das contas não ser nenhuma dessas as razões para ser gostado. Primeiro nunca é possível saber que é realmente amado, a não ser em circunstâncias para lá de especiais, por puro acaso. Nada do que se possa ouvir ou falar, fazer ou demonstrar será suficiente para bater o martelo e acreditar definitivamente. Depois, a motivação da outra pessoa para dividir os momentos com você, bons ou ruins pertence apenas a ela, e é muito provável que ela nunca as divida com você. E vice-versa. É preciso fantasiar para tornar suportável a vida.



          Por fim a imagem real. A forma como as pessoas lhe enxergam e julgam. Sim, porque faz parte do ser humano julgar o tempo inteiro, tendo ou não fatos suficientes para isso, ou razão, ou direito. As pessoas julgam. Talvez seja por isso que a existência seja tão etérea e a humanidade esteja disposta a acreditar em qualquer coisa que alivie o fardo de viver.
          A decepção é a moeda de troca através dos tempos. Será que vale a pena saber de verdade o motivo de alguém que diz lhe amar? Será que a razão do amor vai lhe satisfazer ou lhe destruir completamente? Ninguém sabe os segredos que a alma dos seres humanos esconde, nem eles mesmos.
          Embora o ódio seja mais facilmente explicável, e explicitado sem nenhum constrangimento, é o amor, que todos acham possuir em todos os níveis, o mais difícil de explicar; ou de entender. É o amor, juntamente com a razão de existirmos, que muitas almas inquietas procuram obsessivamente desvendar. Mas o mesmo amor, tão cantado em prosa e verso, tão decantado e confessado através dos tempos é a pedra filosofal, enquanto as pessoas são os alquimistas, em uma busca incessante, instrumento crucial para o conhecimento maior que consolidaria a razão para a existência. O que move essa procura nada mais é do que a fé cega.



Marcelo Gomes Melo


*Ao Morro dos ventos uivantes (Uma visão própria de amor e vingança)






          Retorno ao local de beleza inigualável em que fui torturado como um escravo e posto de lado como a um lacaio, homem sem família, rude e grosseiro que cresceu nesse ambiente, forjando o corpo e a mente com o ar revigorante e os insultos descabidos. Em minha mente ecoa os insultos de quem me reduziu de status e conduziu a vida a um estágio sombrio e nocivo dia e noite, encontrando em mim resistência voraz como uma parede de aço que retornava em silêncio todo o castigo recebido, emocional ou físico.
          Em meio a esse terror inacabável havia você, Cathy, uma flor que acariciava o rochedo duro e inerte como o meu corpo e deslizava comigo pela relva úmida da manhã, dividindo a respiração em nuvens e o sorriso inocente, abrandando o meu ódio pelas pessoas e o meu desprezo pela existência de qualquer coisa que não fosse você.
          A bela Cathy de bochechas rosadas que murmurava o meu nome como algo divino, me aproximando de Deus com  a facilidade com que eu poderia entornar uma garrafa de Bourbon sem pestanejar, praguejando contra o universo. Eu sempre fui o ódio por trás da pesada porta de madeira e os relâmpagos habitavam os meus olhos vorazes desde sempre. Nesse tempo eu era uma figura digna de ser amada, Catherine?
          Hoje a minha amargura precede os meus passos e a força dos meus punhos não hesitam em descer sobre inocentes em busca de uma vingança eterna! Você sabia de meu temperamento quente, forte como o meu ciúme e incompreensão. Um homem destrutivo a quem arrancaram a flor mais preciosa, o equilíbrio para sustentar a tristeza do mundo com toda a felicidade que o sorriso dela gerava pode sobreviver? Certamente que não! Morreria imediatamente após dizimar os responsáveis por tal malvadeza e audácia!



         Mas não foi o que aconteceu, foi, Cathy? Eu não ser um cavalheiro, não saber nem me importar em usar os talheres ou usar a roupagem dos almofadinhas era muito para a sua delicadeza esnobe? Tanto que cedeu aos argumentos fúteis de riqueza, poder e status contra um amor verdadeiro, nascido e criado sob o augúrio dos ventos uivantes, nas tardes em que você se apoiava em meu peito e eu sorvia o perfume memorável dos seus cabelos em meu rosto!
          De que vale se achar solitária no escuro em que habita desde que fui embora para me tornar um cavalheiro e obter mais poder do que o dos meus braços, agora? Uma morte solitária, sucumbindo à fraqueza sem poder caminhar pelas pedras e inspirar o poder natural, recolhida ao seu quarto até dar à luz uma maldita criança que me fará reviver o seu lindo rosto e a suavidade de seus gestos pelo resto da tortura que me tatuou chamando de vida!
          Sou eu, Heathcliff, transformado em cavalheiro como o dos seus sonhos, mas com infinita e maior coragem e poder de decisão; em meu desfavor, Cathy, apenas o ódio que faz parte de mim e me guiará à vingança infernal, destruindo a todos os que me separaram de você, inclusive a mim mesmo. Por que me abandonou friamente, Catherine? Não vê que isso custará um milhão de vidas?! Serei o destruidor que, ferido mortalmente por uma amor imortal, jamais deixará de viver, e muito menos poderá novamente sorrir. Viver para sempre nesse limbo é pior do que o local em que você agora habita, lamentando incessantemente?



           Destruído e cruel, faço o meu caminho banhado em sangue e maldades, imune a qualquer outro tipo de sentimento. O amor por você me cegou, alucinou e escravizou; e agora me tortura lentamente causando espasmos de insensibilidade, relegando os que estão à minha volta a meros instrumentos que serão usados como vingança eterna.
          Mesmo assim, a cada entardecer, bêbado e entorpecido por fora, ainda ouço a sua voz suave chamando o meu nome, lamentando o destino e me convidando a passar por sua janela ao anoitecer, definitivamente. Desde então aguardo ansioso o chamado da morte, a queda sem fim que me livrará, creio fortemente, da agonia infinita!



Marcelo Gomes Melo
        *Visão particular da obra prima Wuthering Heights, de Emily Bronte.

Para ler e refletir

A permanência sob os temporais           Eu quero permanecer sob a chuva, o mundo está tremendo como os meus sonhos. Aturd...