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Sob o radar até perecer



          Mantenha-se sob o radar e tudo ficará bem.
Sempre haverá os falastrões, sinônimo de fósforo que acende o pavio da dinamite que abalará os alicerces de existência inteiras. Em maiores ou menores níveis esses “bocas engraxadas” são os idiotas que destroem possibilidades, que estragam chances e prejudicam a muitos apenas por incapacidade de manter a boca fechada e fazer o cérebro vazio funcionar.
Esses imbecis são iscas de radar, colocam um enorme X nas próprias testas inúteis em busca de quinze minutos de fama sob os holofotes, facilitando a ação dos comandantes do caos. Alarmistas malditos que medem o mundo com a própria régua infectada e julgam as pessoas pelos seus próprios defeitos nojentos: vulgaridade, inveja, cobiça e falta de limites. Covardes que gritam e acusam, hipócritas que criticam apenas porque não conseguem fazer parte da tulha, mas que aceitariam de bom grado parte da pilhagem para manter o silêncio.
Como o mundo produz incapazes em profusão e tolos por vontade própria. A natureza os expurga através de catástrofes, mas esse método acaba por sacrificar inocentes, gente de qualidade moral e intelectual; os seres rastejantes geralmente nada conseguem para si mesmos. O que impedem com eficiência é impedir que todos consigam, principalmente os merecedores.
Todos os que escolhem permanecer acima do radar e têm excelentes intenções logo serão desqualificados, manobrados ou eliminados, sem contar a possibilidade de aceitarem fazer parte do lado negro da força. Os ingênuos provocam barbaridades em nome de boas causas; ficam intolerantes e perdem o dom do diálogo, então podem ser considerados tiranos tanto quanto os seus adversários.
Não há solução se em todos os cenários o fim é o extermínio da qualidade de vida para a maioria. A desgraça se espalha e os desgraçados trocam os papéis da farsa da vida real sem sequer perceber; todos são nocivos, no final das contas.
A existência se resume em natureza e seres. Há décadas acontece uma batalha seres humanos X natureza. A natureza se recicla e é eterna. O ser humano destrói e se destrói.
Mesmo os que espertamente permanecem fora de alcance do radar, perecem. Não há vitória nem vitoriosos. Só uma vida limpa.

 

Marcelo Gomes Melo

Sobre as coisas ruins e as ainda piores


          Tem-se o Índice de Desenvolvimento Humano como parâmetro para definir os países que galgam a passos largos o caminho para se tornar um membro privilegiado do primeiro mundo. Para que essa consideração seja obtida é preciso demonstrar que os pilares sociais funcionam a todo vapor e o crescimento profissional, ético e humano se faz perceber claramente.
          Levando isso em consideração, estive pensando na área da saúde e no aumento da expectativa de vida do povo, que vem crescendo vertiginosamente nas últimas décadas. A população está envelhecendo, e isso significa que, teoricamente a educação está melhor, a alimentação está melhor, as leis estão funcionando, a saúde...
          Pois é, a saúde. Em nível básico, para os pobrões que não têm onde cair mortos e dependem das esmolas do governo, não há hospitais suficientes, profissionais suficientes, bem treinados, com tecnologia de ponta para salvar vidas, conter epidemias e prevenir doenças. Vê-se gente de todas as idades amontoadas pelos corredores dos postos de saúde, morrendo lentamente, sofrendo intermitentemente usados pela mídia para vender drama no horário nobre.
          Ainda assim a população envelhece; então a saúde para os que não são ricos, mas possuem plano de saúde e na pirâmide social ocupam a área da classe média está maravilhosa! São eles os responsáveis pelo aumento da expectativa de vida no Brasil.
          Ledo engano, bom cidadão! Já presenciou o atendimento em um hospital cujos planos de saúde contemplam a parcela da terceira idade? 



Vinte e quatro horas lotados de idosos com os mais variados sintomas, necessitando de atenção completa e exames específicos, o que leva tempo e causa enorme demora.
          Essa demora faz com que fiquem empilhados em poltronas desconfortáveis ou em cadeiras de rodas esperando sua vez ordeiramente, assistindo a novela em uma tevê LCD grudada à parede e com água disponível em um canto do salão.

          É um tipo de sofrimento diferente do sofrimento dos pobrões, embora as doenças sejam as mesmas. Nos Pronto Socorros dos descamisados faltam médicos e equipamentos; nos hospitais da classe média há médicos jovens e equipamentos, mas não funcionam porque o “sistema” vive caindo; e por conta dessa entidade, “o sistema”, mais idosos esperam sofrendo por um atendimento razoável.
          A conclusão é estarrecedora: o brasileiro continua desprovido de educação, portanto não tem esclarecimento para exigir um sistema de saúde justo e honesto, e continua morrendo, tendo ou não plano de saúde.

          O brasileiro tem envelhecido de teimoso! Recusa-se a morrer, por pior que seja a vida! Não se trata de desenvolvimento humano, se trata de ruindade. Somos nós contra a banca, a corrupção, sobrevivendo com farinha e água, arroz com feijão e restos de sanduíches do McDonald’s achados no lixo.
          A nós, caminhando velozmente rumo ao círculo denominado com doçura política como “melhor idade”, resta tremer de terror, já que não somos artistas polêmicos que morrem à flor da idade para virar ícones, lendas que continuam a existir e faturar muito dinheiro mesmo depois de mortos. Envelhecendo sofreremos bastante com a falta de preparo intelectual, social, saúde e respeito que assola o país e vai continuar por muito tempo ainda.


         Na verdade, todas as idades deveriam ser denominadas como “triste idade”, a idade do terror, porque teremos que estudar muito, respeitar muito uma hierarquia e criar regras que sejam respeitadas e eficazes, que façam de verdade o país evoluir.

          Envelhecer da forma como estamos é degradante e enganoso. Se pensarmos que o ruim é a parte dos pobres, não percebemos que a farsa da classe média é ainda maior.



Marcelo Gomes Melo

Para ler e refletir

A permanência sob os temporais           Eu quero permanecer sob a chuva, o mundo está tremendo como os meus sonhos. Aturd...