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A alameda por trás das cortinas


Eu sou o anjo por trás das cortinas, velando o seu sono
Sou o maldoso inocente que amassa os lençóis com você embaixo
Depois fica deitado, as mãos entrelaçadas atrás da cabeça, pensando
Em como a vida pode ser perdida em hesitação
E vivida em angústias, delícias e “nunca mais” eternos
Acho até que desmaio quando passo do ponto, porque deixo de ver
E só sei repetir que tudo o que não é você é inutilidade.
Às vezes escureço de amor como um figo
E as maçãs, enrubescidas são comidas com a maior das fomes
A gula do século...
O anjo por trás das cortinas não é cético, é completamente
Desprovido de noção

As armações dos mortais são tão... Ilusórias.


Marcelo Gomes Melo
Camarada cabisbaixo


         Com as mãos dentro dos bolsos, a cabeça abaixada, o queixo colado ao peito. Cidadão jovem, magrelo, cabelos cortados rente, ombros encolhidos fazendo o pescoço sumir indubitavelmente.

          O estranho é que o que o fazia à beira da praia. No calçadão ao lado do passeio das bicicletas, alheio aos barulhos das ondas quebrando nas pedras molhadas, espumas brilhantes sob os raios solares, irascíveis, atraindo a atenção dos banhistas sorridentes, enjaulados em suas teorias comuns, satisfeitos com o que as cápsulas de felicidade lhes ofereciam.



            Tanta gente aparentemente saudável e feliz, demonstrando o resultado artificial das academias, todo o investimento feito em status, todos filhos de deuses tatuados em seus corpos munidos de borrachas que apagam todo o bom senso de seus cérebros toscos.
         Ninguém parece notar o cabisbaixo, rubicundo como um tomate, os olhos escuros como a tempestade que se anuncia suavemente no horizonte, logo antes de surgir aterrorizante com seus relâmpagos, rugindo com seus trovões como um pastor na Praça da Sé, que atira a Bíblia com força contra o solo e, urrando desvairadamente prevê a chegada do juízo final, sem perceber que está no meio dele há tempos, citando os mais agonizantes destinos aos que corajosamente o escutam.
          A grande maioria ignora, finge que não se importa e foge, sorrindo ironicamente tentando provar que não o temem; muito menos ao futuro aterrorizante atirado em seus rostos.
          Os banhistas felizes, caso o notassem, franziriam as testas, desconfortáveis; se encolheriam com asco, se afastariam de imediato. Mas em quase sua totalidade preferem ignorar.
          O homem, cabisbaixo, silencioso, continua o seu caminho, imune a tudo e a todos. Não muda por eles; não vive por eles. Esse homem sabe que carrega o peso do mundo em suas costas.


Marcelo Gomes Melo   


Questiúncula




          Ah, todos esses amores!
          Até que lugar lhe levaram
          Desde a tenra juventude?
          Houve um momento em que ousasse
          Parar para pensar

          Em latitude e longitude?



          Como se localizar
          No meio de tantas manobras dispersivas?
          Esses amores febris deslizaram pelo seu colo
          Atazanando-lhe o juízo?
          Até que fossem arrancados cruelmente
          Como um dente do siso?




          Um dia tomou consciência
          Durante a idade adulta
          Passou por dificuldades
          Apanhando desses amores
          Como se fosse uma luta?



          E agora no fim dos tempos
          Sabedor de que alguns amores
          Vão e vêm
          Tem certeza de que o mais resistente
          Talvez não lhe faça bem?



          Ou continua perdido
          Sem saber de nada
          Conforme desde o início?
          E isso lhe dá a certeza
          Dos amores desditosos
          Soterrados em suplício



          No final da caminhada
          A um passo do além
          Voltaria os seus olhos
          Para a última tentativa
          De saber se foi mais tristeza
          Ou felicidade durante a vida?


Marcelo Gomes Melo

Útil como pescar no mar morto

             Eu realmente não sou como vocês. Não sou um gênio, não sou hacker, não sei absolutamente nada a respeito do cyber mundo; garanto-lhes que caí aqui de paraquedas, de forma que ficarei de costas para a parede, com o olhar reto fitando o horizonte indiscriminadamente, imparcial como uma grelha de churrasco.

          Não darei uma palavra a não ser que seja solicitado a oferecer um tostão da minha voz, expressando toda a minha falta de conhecimento. Não olharei a ninguém nos olhos, então será impossível, mesmo que virtualmente identificar a qualquer cidadão de chapéu negro presente nesse chat e muito menos nesse domínio.



           Meu interesse, já que estou por aqui, é observar e gravar no meu já combalido cérebro informações que possam vir a ser úteis em um futuro próximo ou distante. Não sou polícia! Não sou, repito, polícia ou qualquer rato do governo; não compactuo com nenhum governo ou falta dele, o que vem a dar no mesmo. Também não sou anarquista, atleta olímpico ou de alcova. Os meus dedos são duros, grossos e grandes, sem qualquer conotação sexual, apenas tenho dificuldades em acertar as letras do teclado, eis a razão para os erros, que não são propositais e nem se tratam de gírias cibernéticas nem analfabetismo congênito.
          Não desejo e não preciso de nada específico. Mulheres nuas, vídeos e fotos, talvez. Sem compromisso. Não é preciso enfiar reles cavalos de Troia neles porque não há nada em meu computador. Nada mesmo. Vazio como o meu cérebro. Seco como o útero de uma velha operada. Inútil como pescar no mar morto.



          Não espero aprender a ganhar dinheiro, estou velho demais para isso. Não quero detonar grandes redes capitalistas apenas por diversão. Não me emociono com a chance de hackear senhas de namoradas para aferir o índice de traição, real e virtual, nem aprender a fabricar bombas caseiras como vingança e retaliação, eliminando figuras amadas ou concorrentes. Eu abri o meu coração como um vendedor de chicletes no metrô por que... PLAFT!
          Tela azul, caveira vermelha chamando de idiota em alfabeto cirílico... Tela preta. Fim. Computador destruído.
          Droga! Não compraram a minha argumentação. Devem ter achado que eu era algum tipo de vendedor das casas Bahia.



Marcelo Gomes Melo

Para ler e refletir

A permanência sob os temporais           Eu quero permanecer sob a chuva, o mundo está tremendo como os meus sonhos. Aturd...