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Espécie (Através de você)

 
 
Eu, quando sou louco, o sou por você
Quando estou pouco humorado é porque me falta você.
Eu,quando me sinto gelado, de olhar afastado, espírito cansado
Ou quando fico excitado...
Quando a pulsação acelera e a vida parece ser insuficiente
Para expressar o que sinto, para bem ou para mal...
A tormenta atormenta e há tormenta em meus lábios!
Eu,quando sou melhor, sou você! Tenho você em mim.
Quando sou pior, sou eu tentando sobreviver, respirar, me conter
Tudo o que não posso fazer.
Quando amo... Como vou saber?
Sei que jamais amei, antes de você!




Marcelo Gomes Melo
 

Os terrores de cada um

 
 

          Foi uma reação em cadeia. Ela me beijou, a luz acendeu. O cachorro latiu. O marido entrou, soltando chamas pelo nariz. Armado com uma metralhadora. Lembro-me que gritei. E acordei suado, apavorado.
          Ela entrou no quarto sorrindo. Abriu a janela, a cortina. Espera aí, tem alguma coisa muito errada aqui, pensei, desconfiado. Olhei a minha aliança na mão esquerda. Ela, imperturbável, perguntou: “Outro pesadelo, meu amor?”. Sorri sem jeito. Não respondi. Também, nem deu tempo! O mesmo cara do sonho invadiu o quarto portando um facão, berrando impropérios. Larguei o lençol e fiquei em pé sobre o colchão, pronto para me defender. Então notei que estava nu e usei as duas mãos para defender os meus pertences. A facada veio na diagonal, do pescoço à cintura. Pelo menos iria morrer intacto, se ser castrado.
          Dessa vez acordei ofegante, quase engasgado. Sozinho no quarto. Sobre o criado mudo uma garrafa com água e um copo. Suando em bicas, tomei uns goles, tentando acalmar um coração... Foi quando senti uma mão suave subindo pela minha coxa. Congelei. Virei para o lado e lá estava ela, na cama, nua comigo, os cabelos soltos, sorrindo encantadoramente, um convite entre os lábios...
 

          Dessa vez o cara saiu de dentro do armário, armado com um porrete, sangue nos olhos, armadura metálica da cor da do homem de ferro. Abracei-a, e com a outra mão tentei proteger a cabeça da porretada! Acordei chacoalhando a cabeça, olhos inchados, a boca seca. O barulho era ela batendo os travesseiros. Beijou-me a testa com um bom dia caloroso e perguntando se eu queria café.
          Antes que eu respondesse, o cara, que estava embaixo da cama, se arrastou como um soldado profissional, de capacete, carregando um escudo com uma estrela e uma granada. Arrancou o pino com a boca e atirou-a sobre mim, protegendo-se com o escudo. BUUUUMMMMM!
          Acordei massageando a cabeça, espalhando os cabelos, com vontade de fazer xixi. Fui ao banheiro, molhei o rosto com água fria, olhei no espelho... Ela, por trás de mim, acariciando-me as costas com os seios e beijando-me mil vezes os ombros, as mãos espalmadas em meu peito. Virei o corpo para beijá-la, imprensando-a contra o meu corpo e a parede. O monstro saiu do Box sob o chuveiro, com uma tesoura enorme para podar plantas, todo molhado, jogando pedaços do vidro que destruiu facilmente sobre nós. Agora não tem jeito! Encolhi-me tentando protegê-la com o corpo. Senti uma dorzinha na cintura.
 
          Acordei novamente, em palpos de aranha. Ela me beliscara para que acordasse e estava me dizendo:
          - Levanta que já está na hora! Você teve um sono inquieto essa noite, meu amor, que coisa!
          Como continuei ali, sentado na cama, atordoado, procurando o camarada em todos os lugares, pronto para reagir, ela continuou a falar, com as mãos lindamente apoiadas nos quadris:
          - Não finja que esqueceu que temos churrasco na casa dos meus pais, hoje, e já estamos atrasados! Ele já ligou aqui umas dez vezes. Sabe que o velho está ansioso para contar a você sobre as aventuras dele no exército e explicar como gerir as oficinas mecânicas. Não podemos faltar!
 
Marcelo Gomes Melo

 
É o mundo que muda a vida ou a vida é que muda o mundo?



           É incrível como os tempos mudam, a vida constantemente se recicla e com ela os conceitos, as regras, o modelo de negociação das pessoas com elas mesmas e com os grupos com os quais se relacionam.

          Nada é fato até que o exemplifiquemos, e tais exemplos servirão para demonstrar que as gerações vão envelhecendo, e com isso apresentam dificuldades para entender e aceitar as novas gerações com seus novos estilos, conceitos e ideais. Imutáveis são as perspectivas de cada geração, afirmando que a geração posterior à sua é sempre mais pobre de cultura, mais fraca moralmente e desmotivada por natureza. As coisas são assim, simplesmente. E não é possível perceber antes que se alcance determinada idade.

          Eu tinha um amigo mineiro que era o protótipo da região em que vivia; fumando cigarro de palha, acocorando-se à beira de um rio todas as manhãs, observando mais do que falando... E quando se manifestava o fazia baixinho, tranquilo, com prudência. Hoje, o homem não é sombra do diplomata que era. Fala alto e gesticula bastante, estressado e impaciente, opinando até sobre o que não é da sua conta. Mudou com o tempo.

 
          Minha amiga paranaense de olhos azuis e cabelos loiros cortados à moda príncipe Valente, cheia de vida e atirando charme pela janela, a rainha dos bailes estudantis. A mãe queria que ela fosse miss; ela fingia querer ser bailarina, mas sonhava em ser dançarina e atriz. Hoje te quatorze filhos, divorciada seis vezes, e se confessa infeliz. O tempo, de novo.
          Um amigo baiano que usava uma peixeira na cintura e batia em qualquer um, bebia o tempo todo e contava cicatrizes como relíquias de guerra, hoje é dançarino de pole dance em um inferninho na Praça da República e atende por um nome feminino estrangeiro complicado. É o mundo que muda a vida ou é a vida que muda o mundo?
          Outro amigo paulista, sempre vestido como um mauricinho, esbanjando arrogância yuppie e tendo como único assunto o dinheiro, em qualquer situação, apresentando suas posses como carro e roupas importadas como currículo, exímio jogador na Bolsa de Valores... Hoje, vestindo camisa polo cor de laranja trabalha como vendedor de bolsas femininas no centro da cidade. Sinais do tempo?
 
          Meu brother carioca, sempre de bem com a vida, disposto a tudo sem entregar nada em troca, o popular esperto, se dando bem em qualquer circunstância. Um boa praça, um tanto egoísta, mas, sem fazer coisas muito erradas. Não se levava a sério e nem coisa alguma em torno de si mesmo; no final de tudo um grande solitário com mania de grandeza. Agora, mais velho, mais sofrido, mais solitário e ainda sorridente, aparenta continuar o mesmo. Ainda assim foi mudado. À força. Acabou por descobrir que não é possível se dar bem para sempre usando as pessoas, e cuidar de si mesmo é muito, muito difícil.
          Não vale a pena perder tempo pensando em coisas assim, a não ser filosofando com tequila e peixe frito em uma mesinha na calçada. O ritmo dos acontecimentos não mudarão por causa de ninguém. Talvez seja estupidez extrema associar amizade a valores financeiros, bondade a amor infinito, discriminação a status. Tudo isso equivale a comprar todos os números de uma rifa cujo prêmio é o direito de ser hipócrita eternamente, sem descanso.
 
          A vida não vai parar para ninguém descer, então o melhor é ajustar-se a seu modo. Faça com que  sua estadia por aqui valha a pena, tire proveito de sua vida sem atrapalhar a dos outros. Sem que atrapalhem a sua. Sem discriminar ou ser discriminado. Talvez seja nisso que se resuma a existência.
 
Marcelo Gomes Melo
Forças da natureza no controle do amor




          Eu quero que me ame quando eu menos esperar. Espero que me aceite da maneira como eu chegar. Necessito que me acolha sem perguntas, que me afague sem economia, que me olhe nos olhos com sinceridade, que não renuncie a mim.

          Eu sei que vou cuidar de você. E quero lhe surpreender quando menos esperar. Fazer seu olho brilhar. Afagar-lhe sem economizar, mergulhar os meus olhos nos seus olhos com sinceridade. Jamais renunciar a você.

          Nada funciona assim. Não há controle por parte do ser humano em nada que o afete. É uma ilusão completa acreditarmos que temos o poder de subverter as forças da natureza em nosso favor. Os sentimentos fluem inexoravelmente como os rios correm para o mar, e tudo o que todos fazem para alterar tal tranquilidade é poluir, secar, destruir.

 
          O que queremos, desejamos ou necessitamos quando se trata do coração, de amor é irrelevante. Não há coerência nos sentimentos bons; caso houvesse o mundo estaria repleto de psicopatas, frios e letais. As coisas acontecem sem a nossa participação, como passageiro de um trem sem freio; é aceitar os acontecimentos, e sobreviver, porque ninguém escolhe a quem amar, quando percebe o pau já está cantando, a briga de foice no escuro está em pleno curso, para bem e para mal.
          As forças da natureza parecem influenciar nos amores, nos estados de espírito, criando encruzilhadas, preparando o cenário e criando o clima específico para o surgimento e continuidade de cada amor. Ou não. Controlam as paixões enquanto, misericordiosamente, nos deixam acreditar em fantasmas, em sorte, em fatores místicos; mas não se engane; tudo está sob os auspícios da natureza, decidindo exatamente o que vai acontecer e de que maneira irá se desenrolar. A participação humana é apenas para estragar, destruir, não entender e lamentar.
 
          O planeta recicla a si mesmo eliminando o que lhe é nocivo através de catástrofes. Os amores também. E quando o ser humano compreender a isso, talvez seja mais feliz.
 
Marcelo Gomes Melo

Para ler e refletir

A permanência sob os temporais           Eu quero permanecer sob a chuva, o mundo está tremendo como os meus sonhos. Aturd...