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As três canções mais emblemáticas de sua vida

          Essa brincadeira foi pensada a partir de um comentário da Mexican Girl em um post, outro dia. Ela usou um adjetivo específico: emblemático. Essa palavra motivou a tal brincadeira, que é “Quais são as três canções nacionais mais emblemáticas para a sua vida até o momento”? Sim, porque é possível fazer qualquer tipo de lista musical; para levar a uma ilha deserta, para momentos românticos na selva, para espera na antessala do dentista... Mas escolher três delas apenas, sejam quais forem as razões, apenas porque lhe acompanham na vida como uma sombra é mais difícil. E divertido.
          Talvez os faça buscar memórias distantes como se fossem do dia anterior; canções que carregamos conosco e são responsáveis pela trilha sonora de acontecimentos que nem se destacam assim até que pensemos neles.
          Então vamos nessa. As três canções nacionais mais emblemáticas de sua vida até agora. Por enquanto, músicas nacionais. Eu começo:
 
1-    “Sampa” – Caetano Veloso
Fala do amor de um poeta narcisista, adorador da beleza superficial e exterior, por uma cidade forte, de concreto cinzento e frio, mas que o acolhe e aquece como mais um filho, ensinando as agruras da vida e possibilitando soluções através de sua própria criatividade e força de vontade; cidade que transforma meninos em homens e garotinhas em mulheres, não importa a idade com que nela se chegue. Alguma coisa sempre acontecerá em seus corações. Clássico!
 
 
 
2-    “Saigon” – Emílio Santiago
É o amor que todo mundo já sentiu, sente ou ainda sentirá em sua vida. Amor vulcânico incontrolável, desfilando pelos corpos através da corrente sanguínea, tesão inigualável e inacabável, entendimento mútuo consistente e persistente até que, por um motivo bobo qualquer, teletransporta ao inferno no inverno; e a dor que se sente é tanta, mas tanta, que só retomando o amor com ainda mais força será possível sentir bem de novo. Até que novas bobagens surjam. Essencial!
 
 
 
3-    “Acrilic on canvas” – Legião Urbana
          É pura metalinguística. A arte utiliza a arte para falar sobre si mesma. Paixão elevada à máxima potência com todas as dificuldades e todos os prazeres inerentes, reais, colidindo mundos paralelos, irreais, questionando luxuosamente a sanidade de quem ama.
          Séculos após Fernando Pessoa afirmar “O poeta é um fingidor./ Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente”, demonstra ao criar um ambiente sedutor, de outono, com sua iluminação difusa, que a confusão de amar permanece emaranhada permanentemente a todos os sentidos humanos. Vital!
          Pronto. Minhas três canções nacionais emblemáticas estão listadas. Quais são as suas? Façamos um painel poético-musical inigualável com nossas próprias opiniões e instintos. Valeu!
 
Marcelo Gomes Melo
 
Poetas eternos, poemas eternizados

Walt Whitman, poeta norte-americano considerado o pai do verso livre, elevou a condição humana e celebrou a natureza com suas poesias visionárias. A nova subjetividade que empreendeu ao seu texto transformou seu trabalho em algo moderno e influenciou a literatura moderna mundial.

Na obra prima do cinema “Sociedade dos Poetas Mortos”, no qual Robin Williams viveu brilhantemente um professor que inspira alunos prosaicos a deixar aflorar sua total criatividade e sensibilidade, para que se tornem verdadeiros homens, o poema “Capitão, meu capitão!” é recitado e analisado, demonstrando todo o brilhantismo de Whitman ante a banalidade humana.

 

Captain, my captain!
O Captain! My Captain! Our fearful trip is done;
The ship has weather’d every rack, the prize we sought is won;
The port is near, the bells I hear, the people all exulting,
While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring:
But O heart! Heart! Heart!
O the bleeding drops of red,
Where on the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.



2
O Captain! My Captain! rise up and hear the bells;
Rise up—for you the flag is flung—for you the bugle trills;
For you bouquets and ribbon’d wreaths—for you the shores a-crowding;
For you they call, the swaying mass, their eager faces turning;
Here Captain! Dear father!
This arm beneath your head;
It is some dream that on the deck,
You’ve fallen cold and dead.



3
My Captain does not answer, his lips are pale and still;
My father does not feel my arm, he has no pulse nor will;
The ship is anchor’d safe and sound, its voyage closed and done;
From fearful trip, the victor ship, comes in with object won;
Exult, O shores, and ring, O bells!
But I, with mournful tread,
Walk the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.
 
Oh, Capitão, meu capitão!
Oh capitão! Meu capitão! Nossa viagem medonha terminou;
O barco venceu todas as tormentas,
[o prêmio que perseguimos foi ganho;
O porto está próximo, ouço os sinos, o povo todo exulta,
Enquanto seguem com o olhar a quilha firme,
[o barco raivoso e audaz:



Mas oh coração! coração! coração!
Oh gotas sangrentas de vermelho,
No tombadilho onde jaz meu capitão,
Caído, frio, morto.



Oh capitão! Meu capitão! erga-se e ouça os sinos;
Levante-se – por você a bandeira dança – por
[você tocam os clarins;
Por você buquês e fitas em grinaldas -
[por você a multidão na praia;
Por você eles clamam, a reverente multidão de faces ansiosas:



Aqui capitão! pai querido!
Este braço sob sua cabeça;
É algum sonho que no tombadilho
Você esteja caído, frio e morto.



Meu capitão não responde, seus lábios
[estão pálidos e silenciosos
Meu pai não sente meu braço, ele não
[tem pulsação ou vontade;
O barco está ancorado com segurança
[e inteiro, sua viagem finda, acabada;
De uma horrível travessia o vitorioso barco
[retorna com o almejado prêmio:


Exulta, oh praia, e toquem, oh sinos!
Mas eu com passos desolados,
Ando pelo tombadilho onde jaz meu capitão,
[caído, frio, morto.
 
Marcelo Gomes Melo

O Arauto da destruição – Parte final
A saga do Arauto destruidor de países e contaminador de sociedades é apenas ficção. Qualquer semelhança com fatos reais ou parecidos é mera coincidência. Daqui pra frente apenas os Devastadores da idade moderna.

         Manuel Diego se adaptou ao frio e à rigidez dos soviéticos. Ganhava competições de ingestão contínua de vodca por dias a fio tranquilamente; aprendeu artes marciais socialistas e infiltrou-se na política nuclear no auge da guerra fria.

          Quando souberam que Manuel Diego havia adquirido mísseis nucleares no mercado negro, levaram-no aos porões da KGB e do Kremlin para interrogá-lo e o machucaram com as piores torturas soviéticas já inventadas. Mas ele resistiu. Resistiu e devolveu a tortura à altura, cantando em altos brados pérolas do sertanejo universitário 24 horas por dia até que os torturadores capitularam e o amordaçaram. Insuficiente, porque através dos olhos ainda lembravam-se das amaldiçoadas músicas, então optaram por vendá-lo também.

          Os soldados soviéticos o deixaram em uma prisão mista por uns dias, enquanto pensavam no que fazer com ele. Temiam matá-lo e depois terem que conviver com o seu fantasma para sempre! Manuel inventou uma bebida alcoólica mais forte do que vodca, com batatas, pimenta malagueta e gás encanado, capaz de derrubar mamutes. Bebendo com uma lésbica de Leningrado durante uma semana sem interrupção, jogando baralho, acabaram transando violentamente. Conseguiram fugir do local dias depois, com a posse de mísseis nucleares poderosíssimos. O plano? Acabar com a União Soviética como a conheciam, transformando-a em dúzias de novas nações, faturando bastante dinheiro e adquirindo poder absurdo durante a transição.

 

          A lésbica, forte como um touro, lutadora de sambo, 1,85m de altura e cem quilos de músculos com a ferocidade de um tigre viciado em crack, quando descobriu que estava grávida se tornou um trem desgovernado de ódio e partiu para cima de Manuel Diego disposta a destroçá-lo com uma marreta em uma mão e uma faca de destrinchar hipopótamos e jacarés, afiadíssima, na outra. Lutaram o equivalente a 30 rounds de luta livre, vale tudo, sem que ninguém tivesse a coragem de separar. Manuel venceu a batalha quebrando-lhe os dois braços em três partes cada e as duas pernas, mas teve a clavícula deslocada, um dos punhos macetados, inúmeros cortes profundos pelo corpo e uma concussão cerebral que o deixou meses na UTI. Precisou, nesse período, transplantar o fígado.

          Embora tentasse suicídio por 18 vezes no período de gestação, a lésbica não teve sucesso. Foi obrigada a dar à luz a Manuel Fernando Lulovitch, um bebê afetado psicológica e fisicamente por todos os excessos cometidos pela mãe, inclusive a rejeição contra ele.
          Lulovitch cresceu observando os meandros políticos da União Soviética, e a participação dos seus pais no processo de extinção dos países da união socialista, o que rendeu ainda mais poder e dinheiro para a família.
          A Rússia, a mais poderosa das novas nações pós-separação decretou o exílio de Manuel Diego, sua parceira lésbica e o jovem Lulovitch para a Sibéria, todos com algemas nos pulsos e uma bola de ferro em um dos tornozelos, com a missão de quebrar pedras pelos próximos 50 anos.
 

          Lulovitch cresceu nesse clima de frio extremo, sem ver ou sentir o sol, apenas neve e escuridão. Ele era o espécime mais curioso da família, física e intelectualmente. Alto, forte, cabelos brancos e compridos; pele rosada e olhos brancos, Lulovitch era albino. Parecia uma estátua de gelo, mal murmurava uma frase inteira por entre os dentes. O único sentimento que conhecia era ódio. Odiava aos pais e não sentia absolutamente nada pelo resto dos seres com os quais convivia através dos anos na Sibéria, os bandidos mais perigosos do mundo, que se tornaram uma “família” sob o comando de Manuel Diego, o capo siberiano do que ficou conhecido como a “Máfia do gelo”. Mesmo dali, o “portugaleiro”, português brasileiro mais internacional já conhecido comandava ações de terror pelo mundo. Dizem as más línguas que faturou alto treinando os soldados de Bin Laden na arte de morrer sem sentir dor; as línguas geladas comentavam à boca pequena que vendia urânio para os chineses, iranianos e iraquianos.

          Lulovitch cedeu DNA para a produção de vírus letais que visavam banir continentes do mapa iniciando a batalha biológica mundial. Só aos trinta anos de idade foi autorizado pelo pai a sair da Sibéria com a missão de espalhar o terror pelo mundo. Em um trem cargueiro cheio de africanos, era o único que destoava, pela cor e pela atitude. Foi a primeira vez que viu fêmeas da espécie, já que até os trinta aprendera os artifícios sexuais transando com ursos polares, baleias, focas e pinguins.
          Manuel Fernando Lulovitch comeu muitas africanas naqueles vagões até chegar ao continente africano, local de clima completamente diferente ao que estava acostumado. Foi lá que aprendeu a usar óculos escuros e cobrir o corpo inteiro de tecido leve e branco de dia, e preto à noite. Comprou um chapéu idêntico ao de Indiana Jones, e passara a usar continuamente.

          Durante sua estadia nos países islâmicos passou a ser temido e apelidado de “o capeta transparente”, pela maldade, frieza e cor da pele. Ganhou dinheiro no mercado negro contrabandeando carne de porco; para não ser eliminado pelos fanáticos religiosos aos quais treinara decidiu partir para a Índia, onde passou a organizar churrascos matando as vacas sagradas  e requisitando cientistas indianos para realizar experiências aterrorizantes envolvendo alienígenas. Lulovitch queria realizar mais coisas do que os norte-americanos, quando, no pós-guerra mundial contrataram os cientistas nazistas para continuar a fazer as experiências medonhas que fizeram para Hitler.
          Na Austrália, com quarenta anos e ódio pela vida intacto, Manuel Fernando Lulovitch teve um filho com uma anã aborígene, e sem emoção alguma informou à mãe que o levaria ao Brasil, onde teria participação política decisiva nos anos vindouros. Quando a mãe esboçou uma reclamação, ele a estrangulou usando apenas uma das mãos; jogou o filho dentro de um saco de estopa e pegou um jato particular. Destino: Brasil.
          Vinte e quatro horas depois pousou no nordeste brasileiro, tomando contato com o império da família na área da corrupção e da lavagem de dinheiro. Para a área alimentícia das empresas da família, Lulovitch contribuiu com uma versão light do que comera nos vagões africanos, além das mulheres: feijoada. A diferença é que seu invento foi uma adaptação do original; feijoada light, com feijões brancos, pedaços de mandacaru, caroços de manga e castanha de caju em vez de carne.
          No nordeste o filho cresceu bebendo cachaça na mamadeira e comendo carne de jegue com pirão e rapadura. Aos doze anos aprendeu a fumar charutos cubanos e a brincar com a peixeira, espetando-a entre os dedos da mão espalmada sobre uma mesa de madeira com a maior velocidade possível, bêbado de cair, e com excelente destreza. No processo acabou por perder um dedo, mas virou expert no manejo da arma branca.
          Aos dezessete perguntou ao pai pela mãe. Foi a primeira e a última vez. O pai contou a verdade. Estrangulara a sua mãe porque ela não servia para nada.
          - O senhor é cruel! – Lulinha retrucara, sem emoção na voz, sem parecer horrorizado ou surpreso.
          - Cruel foi sua maldita mãe, que não lhe abortou – foi a resposta gélida do pai, sem sequer desviar o olhar para enxergar o filho. Lulinha jamais perguntou pela mãe.
          Um dia foi retirado de um forró no qual arrasava, conhecido como Lulinha nove dedos, o terror da terra vermelha; estava suado de tanto dançar de alpercatas, levantando o poeirão no chão de terra, ao som do triângulo e da sanfona, comendo buchada e derrubando barris de cachaça. Era o dia do seu aniversário de dezoito anos.
          O pai requisitara. Era uma ordem. Lulinha agora era um homem macho maxixe doce, plenamente treinado pra seguir seus passos e buscar o enriquecimento sem precisar da família. Naquela noite mesmo seria despachado para São Paulo em um pau de arara, com a roupa do corpo e uma trouxa amarrada num cabo de vassoura contendo farinha de mandioca, rapadura e cigarros de palha. No bolso, dinheiro suficiente para sobreviver por um ano. Lulinha não disse nada. Não queria morrer nas mãos do pai.
          Antes de se afastar, o pai murmurou sem olhar para ele:
          - Lulovitch, amaldiçoado safado, vá para São Bernardo e mude o destino desgraçado desse país.
          E ele foi.


Marcelo Gomes Melo

O Arauto da destruição – Parte dois

          Flortônio foi o primeiro bissexual assumido da Argentina e Paraguai, quando foi para esses países negociar; carne argentina para importação e iniciar uma ponte amistosa com os paraguaios com o intuito de faturar alto com a mão de obra guarani que copiava produtos europeus como espelhinhos e pentes à perfeição para revender mais barato.

          Na Argentina usava o sexo masculino e teve um caso com uma ancestral da futura grande Evita, com a qual teve um filho dançarino e cantor de tango. No Paraguai usava o sexo feminino e teve outro filho que viria a ser cantor de uma banda adolescente homossexual que viria a ser famosa mundialmente após ter mudado para Porto Rico.

          A mãe faleceu por uma guerra de gangues mafiosas quando saía de uma cantina na Mooca, obrigando-o a retornar com o filho argentino, Diego Armando Manuel, em busca de vingança.

          Dieguito era diferente de toda a família fisicamente. Era baixinho e gordinho, com cabelos escuros e oleosos, mas igualmente enfurecido e talentoso. Quando cheirava pó branco ele se sentia invencível, e agredia a quem estivesse pelo caminho, quebrando a tudo e a todos.


          Flortônio se envolveu com a máfia italiana e terroristas cubanos, para traficar pizzas e charutos e para vingar  as mortes da mãe, e em seguida do pai, que foi abraçado por um homem bomba em praça pública e explodiram juntos, espalhando restos mortais nos tanques de peixes ornamentais.

          No Rio de Janeiro Flortônio começou a faturar mais dinheiro protegendo criminosos internacionais em troca de uma percentagem gorda. O primeiro deles foi Ronald Biggs, ladrão inglês de um trem pagador que viveu em segurança por décadas nas praias cariocas.

          Flortônio morreu de AIDS, quando nem se sabia da doença ainda. Talvez tenha sido o hospedeiro número um. Dieguito tornou-se o comandante do império familiar e casou-se com uma lutadora de boxe italiana de 1,90m, linda e destemida; a boca mais suja do planeta! Conhecia a todos os palavrões em qualquer idioma e os utilizava. Praguejava sem pressão e tinha o pavio ainda mais curto do que o do marido.

 
          O filho deles, Manuel Diego Richtoffen saiu com quase dois metros de altura, muito forte, loiro como a mãe e de cabelos Black Power pela genética da família. Herdou a fúria e violência de ambos, e o talento para multiplicar dinheiro também. Gostava de resolver a tudo com porrada e morte de homens, mulheres, crianças e animais igualmente, sem discriminar em nada.
          Todos só perceberam o quão Manuel Diego era perigoso quando ele matou os próprios filhos em um acesso de raiva, espancando-os até a morte, fatiando os corpos e passando num moedor de carnes antes de enfiá-los num saco plástico misturados com cimento e atirados na Baía de Guanabara. Dizem que a poluição desse cartão postal começou aí.
          Os políticos tremeram. As instituições influentes gelaram. Os padres que encomendavam criancinhas queriam excomungá-lo e afastá-lo, mas tinham medo e pressionavam os políticos a prendê-lo. Os políticos queriam vender os serviços de Manuel Diego para as republiquetas de bananas em sua guerra terrorista para alcançar o poder. Mas tais republiquetas tinham medo de perder o poder para o maníaco brasileiro e não aceitaram.
 
          Alguém no fundo da sala de reuniões dos políticos sugeriu timidamente a União Soviética. Foi aclamado como um gênio pela ideia. Entrariam em contato, se livrariam dele e ainda faturariam grande quantidade de vodca e caviar.
          Assim o fizeram. Manuel Diego foi mandado à União Soviética como arma secreta para lutar contra a democracia ianque. Na noite em que ele foi enviado os morros cariocas soltaram fogos de artifício, e naquela época era só por isso. Os políticos realizaram surubas intermináveis com estrelas globais e muito álcool. Só não se tocaram do óbvio: Manuel Diego só foi para a União Soviética por desejo próprio. Tinha planos para o país socialista.
Em breve a parte final da saga de uma família que mudaria o rumo de países inteiros e ficaria incrustada na história para todo o sempre (na história das entrelinhas de quem a conta).
 
Marcelo Gomes Melo

O arauto da destruição - Parte um.
          Saga em três partes de ficção sobre uma parte do Brasil desconhecida pela maioria dos brasileiros, desnudada completamente a partir de agora.
 
 

          A história começou há séculos atrás, quando seu ancestral chegou ao Brasil em um dos galeões de Pedro Álvares Cabral, alistado à força que fora em Portugal; afinal, era isso ou a morte por enforcamento mediante as inúmeras sacanagens que realizara na terra de Dom João, roubando, enganando, garantindo que Dom Sebastião não morreu e sabia onde ele residia, saqueando a Europa. O nome do homem sem escrúpulos era Antonio Manuel, considerado inimigo público número um dos países ibéricos.

          Quando aportou na Ilha de Vera Cruz estava amancebado com uma dama loiríssima oriunda dos países baixos, Netherlands; garota alta e maconheira de princípios liberais com a qual iniciou um prostíbulo se autoproclamando o primeiro cafetão mascate da história do mundo, levando as piranhas a todos os países, já descobertos ou não. Estava instituído o “delivery puta” na Terra de Santa Cruz.

          Circulando entre os indígenas, Antonio Manuel, portuga visionário na arte da corrupção universal logo iniciou a catequização daqueles seres sem alma. Não à maneira do Padre António Vieira, o grande Paiaçu, mas do seu próprio modo. Arranjou algumas índias bonitas e contratou-as como garotas de programa, acompanhantes dos marinheiros, pagando seus salários com espelhinhos e tecidos coloridos, mas enchendo a algibeira de escudos.

          O cafetão da terra brazilis logo percebeu o fascínio que o louro dos cabelos de sua amante holandesa causava nos índios, então montou uma suíte na praia, com camas de folhas de bananeira, servindo água de coco misturada com uísque escocês para que os caciques transassem com a loura em troca de metais preciosos como o ouro. Seu talento empresarial se manifestou quando resolveu exportar perucas para a Europa, raspando os lisos e negros cabelos dos indígenas e faturando alto. É importante contar que foi o inventor do primeiro gel para cabelos do mundo, uma mistura de urucum com urina de porco acondicionados em potes e vendidos para alisar cabelos e barbas longas. Reza a lenda que o famoso pirata Barba azul era seu cliente, e o tom azulado de sua barba era graças ao gel do portuga.


          Antonio Manuel era esperto e nada egoísta quando se trava de ter lucro e assumiu um filho da holandesa com diversos pais, além dele: índios, portugueses e negros africanos recém-trazidos para trabalhar como escravos em nome da glória de Portugal. O garoto tinha pele negra reluzente, cabelos negros e lisos e olhos muito azuis. Logo cultivou um belo e enorme bigode encerado com gel de sumo de pau Brasil, suco de pitanga e urina de bicho preguiça, que dava um tom avermelhado ao bigode e virou moda  entre os importantes da época. Foi batizado como Manuel Antonio e herdou os talentos do pai e a safadeza da mãe; então, quando Antonio Manuel faleceu com gonorreia e febre tifoide, assumiu os negócios da família, expandindo um pouco mais. A mãe, que já não tinha atrativos físicos para a prostituição, passou a comandar o tráfico de ópio e descobriu como usar plantas amazônicas para fazer perfumes que a Europa passou a importar avidamente. O império cresceu e adquiriram algumas ilhas, subornando os corruptos governantes portugueses. As nomearam com os nomes dos netos da holandesa, filhos de Antonio Manuel: Fernando de Noronha e Florianópolis. Seu filho Fernando com uma condessa hispano-portuguesa, Estelita Noronha, que exportou muitos frutos do mar e inventou a paella, triplicando a fortuna da família no ramo de restaurantes especializados na Espanha e no restante da Europa.
          Seu filho Floriano, fruto de sua relação com uma alemã de família de pescadores virou dono da ilha, transformando-a em uma cidade, também comandando o ramo de restaurantes e turismo. A famosa sequência de camarões é, até os dias de hoje adorada pelos gourmets e pelos esfomeados turistas comuns.
          Com o falecimento dos pais, Fernando se alistou e ganhou uma patente militar. Conhecendo Jacques Cousteau pére, o coronel Noronha adotou a sustentabilidade natural e passou a proteger a sua ilha e a natureza, mandando matar os indígenas e reduzir sua ação a alguns lotes de terra. Seu irmão Floriano passou a exportar cerveja e ficou ainda mais rico, fazendo sociedade com o irmão.


          Influentes, logo assumiram postos políticos e inventaram o voto de cabresto. Importaram trens Maria-fumaça e enviaram um casal de confiança para criar e dirigir uma estação ferroviária em São Paulo, que recebia imigrantes do restante do mundo e os enviava para assumir trabalho em fazendas de café no interior de São Paulo e Paraná, principalmente asiáticos, e também para as fazendas de gado para corte e leite em Minas Gerais. Para explorar os metais preciosos usaram Bandeirantes e negros escravizados.
          O casal de confiança era Paulo Antonio, filho de Fernando de Noronha e Flor Ritchoffen, filha de Floriano Manuel. Como os avós e pais, eram muito bons no que faziam, explorar ao máximo a condição humana como escravos. A distância da família e a convivência mútua em São Paulo os aproximou demais. Tornaram-se amantes. Amantes do mesmo sangue produzem aberrações, era o ditado popular. E dessa relação macabra, em que faziam amor em meio a operações de contrabando ou ao som de negros sendo espancados no tronco até a morte, nasceu o futuro rei de Carapicuíba, o conde de Duque de Caxias, o homem que tomou o Acre dos estrangeiros vizinhos e acrescentou ao seu país de origem, iniciando uma indústria de extração de borracha, das seringueiras abundantes da região; o matador do Bonfim, o traficante de pão de queijo de Lambari, o primeiro empresário do bisavô do Pelé! Seu nome: Flortônio Manuel, o visionário.
          Mas o ditado popular de que casais do mesmo sangue produziam aberrações confirmou-se. Flortônio era hermafrodita. Possuía ambos os sexos.
          Acompanhe a saga, segunda parte em breve. Essa é uma obra de ficção, qualquer semelhança com qualquer bandalheira ou não, é mera coincidência.



Marcelo Gomes Melo


Para ler e refletir

A permanência sob os temporais           Eu quero permanecer sob a chuva, o mundo está tremendo como os meus sonhos. Aturd...