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Photobook Transilvânia. O fotógrafo pegador.

          Hey, vamos dar um role na Transilvânia, petequinha! Ponha o seu xale dourado e caminhe como se fosse uma meretriz santificada pelos olhos do povo. Já ouviu falar na arte de lamber selos? Não?! Será um prazer além dos limites iniciá-la no passatempo dos deuses numa antiguidade não muito distante, se é que me entende... Só os amanuenses sabem, querida; auxiliares de escritório da Era pré internet, não é do seu tempo, não se preocupe. Continue a mascar seu chiclete e sorrir para a câmera. Você seria uma maravilhosa lambedora de selos!
          Caminhe sensualmente, assim! Beleza, querida; eu faço o que tenho que fazer, sem problemas, sem preâmbulos. O quê? Preâmbulos? Não importa! Usarei a mão direita para imortalizar as suas poses por esses jardins dos castelos romenos. Nada me intimida, pombinha linda! Sou bom com a câmera fotográfica.
 
          Assim mesmo, preciosa, deixe-me entrever a pele macia do seu colo. Tem noção do quanto isso vale? Ser o primeiro a imaginar as pérolas magníficas, e ao vivo, antes que as fotos saiam nas revistas de moda ficando ao alcance de todos os brucutus do mundo? Ou acha que enquanto as mulheres observam as roupas e os detalhes da costura, as cores, os camaradas fazem o quê?
          Outra coisa, amor dos outros... Ah, olhe assim mesmo, assim está perfeito, quase revirando os olhos, quando o âmbar namora desavergonhadamente com a câmera! Perfeito! Chega a causar ciúme. Borrachinha! Mas, a outra coisa não era isso; era o seguinte, candidata a estrela no panteão da futilidade imensa que só o dinheiro pode comprar e a ignorância pode admitir. Você verá que os ricos pensam diferente dos meros mortais Mulheres ricas, especificamente, bombom, guardam em si mesmas um quê de maligno, algo que vem com o dinheiro, não sei bem explicar, nunca fui rico. Nem mulher. Jamais o serei.
 
          Agora, encurralada na sombra contra as pedras; assuste-se com minha urgência de empalador, pecadinho suave, faça! Muito bom! Joelho à frente, pedaço da coxa à mostra. Sensacional! Olhe pra mim, querida, perceba como você consegue mexer com a adrenalina dos machos facilmente!
          Estamos terminando, só mais algumas. Faça uma pose escancarada! Garanta o inefável tesão para as massas alucinadas por momentos de luz! Podemos sair para almoçar em um minuto, o que acha? Naquela cantina romena de origem suspeita. Eu pago! Ensopado à Gary Oldman com cerveja romena da melhor qualidade. Sinta o cheiro delicioso que escapa daquela chaminé centenária!
          Você é uma ótima profissional, minha querida. Por que não me convida para um jantar de comemoração pelo excelente trabalho realizado, essa noite? Vou te pegar no hotel. Só terá que me convidar a penetrar... A propósito, criança, horas de trabalho e não tive a oportunidade de me apresentar à vossa emblemática figura.
          Muito, muito prazer. Meu nome é Vlad!

                                      Marcelo Gomes Melo
 

Entre o moderno e o eterno



Minha senhora, por favor, não pense

Que os velhos rituais são tolos

Porque render-se a qualquer tipo de modernidade

Equivale a trocar segredos por exposição gratuita

Fruto da ingenuidade.
 
 

Minha senhora, o que fazemos e o que pensamos

Supera em prazer e gosto

A tudo o que confessam fazer, só para aparecer

Os outros.
 

Nossos rituais profanos, calientes, particulares

Repetem-se ad eternum, garantidos pelo ineditismo

E exclusividade que só dizem respeito a nós

E aos nossos pilares

Que fortificam nossa aliança e não permite

Julgamentos a quem  os desconhecem.
 

Não pense, minha exigente senhora

Que nas noites de furor concentrado

E solicitações veladas de ambas as partes

O universo não tremeria de prazer incontido

Caso explicitássemos nossas brincadeiras

 

Então, que eles vendam prazeres de plástico

E apregoem intimidades sem gosto

Para convencer aos incautos

Que corar por instinto com olhares promissores

É algo tão antigo que ninguém mais utiliza
 
Quem são esses exibicionistas do vazio

Para saber que o que move os verdadeiros amantes

Nada mais é do que os segredos elegantes

Prazeres cheios

Sob a lua minguante

E a antiguidade experiente do amor.




           Marcelo Gomes Melo

         

Os ossos. Agora você é uma mulher!

 
         Me doem os ossos quando lhe vejo assim: linda, jovem, inteligente e tão sem capacidade de aprender as benesses que a natureza oferece.
          Me arrepia a pele quando você rechaça a ajuda das pessoas à sua volta, que lhe amam e se importam com você além dos limites.
          Sua filosofia pessoal de não precisar dos outros em hipótese alguma cai por terra logo que haja experiência, porque a juventude dá a falsa impressão de infalibilidade e força, mas ninguém é uma maldita ilha! Todos, mais cedo ou mais tarde precisarão de ajuda, e isso não é demérito para pessoa alguma. Humildade é o ponto de partida para a sobrevivência e felicidade. Perca seu tempo retribuindo com amor e preocupação, carinho e agradecimento e verá como a vida se abre e tudo fica menos difícil.
          Me doem os ossos por ter que reparar a ausência de realismo de sua curta vida com palavras duras, mas necessárias. Raciocine em grupo, pense nos sacrifícios feitos por todos os que lhe amam incondicionalmente, para lhe ajudar, não por obrigação; por vontade. Por amor.
 
          Reconheça os seus enganos, apague o egoísmo e lembre-se de agradecer pelo mínimo que cada um possa lhe oferecer, em vez de exigir mais, sem pensar no que é viável; no que é possível. Pense em quem você vem ajudando, a quem você já ajudou e por que raios ajudou, se é que ajudou. Caso tenha ajudado foi pensando em futuros benefícios?
          O egoísmo da juventude é natural até certo ponto. O ajuste de caráter por parte dos familiares é obrigatório. E o preparo para ouvir e modificar as atitudes exageradas, que podem levá-la ao isolamento, vital.
          Pode ser duro ouvir tais verdades nesse momento, o que até lhe leve às lágrimas, com ódio ou decepção, e isso é ótimo, pois significa que ainda há em você sentimentos suficientes para entender o que vem causando às pessoas que lhe amam: mágoa e decepção. Isso vai passar. O fardo que insiste em carregar sozinha já está dividido entre todos, e assim que se permitir a perceber isso se sentirá mais leve. E a leveza de espírito é o passo mais largo em busca da felicidade suprema.
          Pense sempre assim, refaça seus conceitos sempre que possível, ou reforce os que estão corretos. Ame da mesma forma que é amada, deseje com a mesma intensidade com que é desejada e releve as pequenas falhas, principalmente as suas.
          Agora você é uma mulher.
 
Marcelo Gomes Melo

         O covil das mulheres armadas



Ruas em preto e branco, noite espalhada e fria

Quando me enrosco em um conhaque da cor dos

 Olhos da perdição, e sigo pensativo e encoberto

 Pela capa de luzes mercúrio, disfarçando a

 Escuridão eterna.

 
Trata-se da sensação das mãos na blusa de seda
 Deslizando firmes, ignorando botões e zíperes
 Que ficam pelo caminho, abertos, desprovidos de função
 Sou um ser finito de desejos eternos, inspiração profunda.
 
Falas aveludadas mal rompem o silêncio de copos com
A cor do absinto, cubos de açúcar
 Pontas dos dedos em torno do umbigo, suavidade urge!
 Descendo, lutando, mais botões, mais zíperes.
 
Engolindo em seco, lábios que enceram e dão brilho
A música dos lordes acelerando as necessidades
Afiançando as possibilidades
Um alucinado por controle fervendo entre
Algodão e pele.
 
Afastando o antinatural com as pontas dos dedos
 Sobrepostos pela língua lasciva, adocicando seus pelos
 Voraz, contumaz, enlouquecedoramente
  Movendo-se em círculos, penteando, intercalando
  Os suspiros.
 
Até o fim, esfomeado, através de uma névoa
 Que me dizima os pensamentos puros
 Até o enfim, mordendo, sorvendo e me
  Deliciando. Até o fim em busca
  Do covil das mulheres armadas!
                                Marcelo Gomes Melo
 

Lenda urbana III: Jerimum e a Doidinha do Shopping Center


         A Doidinha era uma garota aparentemente comum, magra, baixa, de seios pequenos, quadris estreitos, olhos enormes como um personagem de mangá, os cabelos cortados curtos, estilo Maria homem. Essas características lhe davam um aspecto bem mais jovem do que realmente era.
          O que não era comum é que ninguém jamais conseguia ver completamente o seu rosto, a não ser que se transformasse em uma de suas vítimas. E esse olhar era o último antes de garantir a passagem só de ida para as profundezas dos infernos...

          A nossa doidinha era uma menina inocente nascida no interior de Minas Gerais que até os treze anos de idade jamais havia visto o mar. Tímida, nunca levantava os olhos para falar com alguém, sempre exibindo aquele sorriso abobado dos inocentes. Era hiperativa, não parava quieta. Vivia correndo de um lado para outro, tropeçando nas coisas, mexendo, tirando do lugar, derrubando...
          Aos treze foi morar no Rio de Janeiro com os tios ricos no Leblon. Viu o mar pela primeira vez e ficou encantada. A tia lhe comprou batom e alguns biquínis floridos, sexy, e soltou a doidinha sob o sol carioca, com espaço na praia para correr e se bronzear.

          A menina falava pouco, mas corria muito pela praia, sorrindo bastante, driblando as cadeiras de praia com agilidade, chupando picolé... Uma representante da felicidade; com o mar em si, ela mantinha certo respeito. Não gostava de ir além de molhar os tornozelos. Temia o mar.
          No fim da tarde saía da praia e se preparava com esmero, sempre de shortinho colorido e top para ir ao shopping. Tinha uma aparente vida social intensa, sem ter amigos, conversar com qualquer pessoa. Estava sempre no bolo, sorrindo, dançando, circulando, sem falar com pessoa alguma. Era conhecida por todos, mas ao perguntar se já ouviram o som de sua voz, a resposta seria “de jeito nenhum”.

 

           Cinco anos depois já podia ser considerada uma ratinha de praia e shopping, conhecendo os meandros tanto de um quanto de outro lugar.  Foi nessa época que ela conheceu Jerimum, um paraibano musculoso, lutador de jiu jitsu, baixinho troncudo que tinha várias tatuagens de seus ídolos da família Gracie no corpo.

          Jerimum também falava pouco, rezava muito; nordestino introvertido que treinava muito para ser um astro do MMA. Não tinha família e vivia na praia, de sunguinha branca, treinando na areia. À noite ia para o shopping passear, tomar açaí, sempre sozinho. Ele e a doidinha se esbarraram nos corredores e dali nasceu uma amizade especial, com pouco papo, muito sorriso e bastante isotônico e treinamento duro, porque Jerimum passou a treiná-la nas artes marciais. A doidinha ficou forte e ainda mais veloz, uma potência letal das lutas, mas manteve-se ingênua e de coração bom, porque Jerimum assim o era.
          As agruras da vida começaram por bobeira. Um garoto surfista, conhecido como Alemão, cabelos loiros e longos, ensebados e emaranhados, de tronco largo, mas pernas finas, gente boa que entrou na fila do equilíbrio sobre a prancha muitas vezes, mas esqueceu de ir à fila do cérebro, sempre que encontrava com Jerimum o chamava para pegar uma onda. Jerimum não gostava de água, viera da terra seca, nem sabia nadar, então abaixava a cabeça e nunca dizia nada.

          Um dia, o garoto surfista perguntou, na frente da doidinha, se ele, um nordestino fortão e cabra macho do MMA estava com medo de pegar uma simples onda e acabar tomando uma vaca na frente da namoradinha. A doidinha o segurou pelo braço, com expectativa e preocupação, mas nada falou, como sempre.
          O surfistinha sorriu debochando e começou a caminhar com a turma em direção ao mar, mas Jerimum endoidou. Foi atrás e tomou a prancha das mãos do surfistinha, correndo decididamente para dentro do mar, em busca da onda perfeita, enquanto todos berravam e a doidinha observava apavorada.

 

           Jerimum, macho desbravador que não tinha medo de nada, começou a golpear as ondas como numa luta de vale tudo, achando que venceria pela força, mas a cada metro mais fundo, mais era arrastado e bebia água salgada com xixi e coliformes fecais. Nunca surfara antes, e não seria dessa vez que o faria. Cansado, as forças foram o abandonavam e Jerimum largou a prancha e começou a abanar os braços, desesperado, enquanto afundava aperreado.

          A doidinha, sem medo correu para o fundo do mar, tentando buscar Jerimum; outros surfistas também tentaram salvá-lo, mas Alemão permaneceu na praia, de longe, sorrindo da burrice do paraibano.
          Nenhum dos dois se salvou. Morreram afogados, Jerimum e a doidinha, e só foram encontrados dias depois em outra praia, os corpos inchados, caranguejos saindo de dentro das bocas e vermes dos olhos, substituindo  os globos oculares.

          A tragédia rendeu muitas matérias nos jornais e entrevistas nos programas “mundo cão” das tevês. Todos tiveram seu minuto de fama, inclusive Alemão, o surfistinha, que informou à jornalista que Jerimum tomara sua prancha, e ele nada pudera fazer contra o bad boy lutador.
          Naquela noite um vento gelado percorreu toda a praia, à meia noite. Apesar do calor absurdo de 40 graus, por quinze segundos as pessoas pensaram estar na Islândia.

          Justamente naquele instante, Alemão saía da última sessão de cinema no shopping, sorridente e tranquilo. Acabara de assistir ao blockbuster “O último suspiro”.
          Antes de dar o fora entrou no banheiro, espalhou os cabelos, sorrindo para o espelho. Abriu a porta de um dos banheiros. Um vento gelado percorreu o ambiente, enregelando-lhe até a alma. Alemão se encolheu, batendo os dentes, amaldiçoando o ar condicionado do shopping. Ficou com dificuldades até para respirar, uma névoa escapando por sua boca entreaberta, os lábios roxos. Deu um passo para trás e pensou ter visto um vulto pequeno e escuro, muito veloz para ter certeza. Um sorrisinho baixo e maligno o fez estremecer. O vulto passou por ele dançando, como um bólido. Seus olhos se arregalaram e seus dentes se arreganharam do mais puro medo.

          O fedor que atingira seu nariz em cheio era fruto das necessidades naturais se manifestando, escorrendo pelas suas pernas finas; Alemão defecara. O que ele acabara de ver foi a doidinha, girando em torno dele sem parar, à velocidade da luz. Tremia de medo, o surfista, a voz não saía! Por dez segundo ela parou e segurou seu rosto com os dedos frios e compridos em garra, colocando o rosto a centímetros do dele. Os buracos em que deveria haver olhos mostravam-lhe o porão dos infernos em chamas; do nariz, vermes saltavam, penetrando em sua boca e orelhas.
          De repente, um golpe seco na canela. Dobrou-se de dor, mas não emitiu som algum. Fratura exposta. Uma mão gelada agarrou-lhe a nuca e o atirou para dentro do banheiro com violência. Bateu a cabeça no vaso sanitário, abrindo uma enorme brecha. Sangue negro escorreu abundantemente. O nariz quebrou enquanto a poderosa mão em sua nuca insistia em golpear o vaso sanitário com sua cabeça. Um crac e o joelho da outra perna partiu-se, inutilizando ambas as pernas. Dentro do banheiro um verdadeiro fog londrino; fumaça branca e gelada.

 

            A cabeça ensanguentada foi mergulhada no vaso, a água invadindo-lhe a boca, as narinas estouradas e enchendo-lhe os pulmões. A sensação de morte que lhe acometeu foi tão completa, que ele achou que encontraria a paz. Mas, paz não era o seu destino. A mão puxou seus cabelos, arrancando sua cabeça de dentro do vaso. Ouviu um sussurro inocente em sua orelha sangrando, que dizia: “Esse é apenas o seu ticket para o inferno. Vai sofrer por toda a eternidade”...
          A partir daí mãos potentes o espancaram sem dó, com força total. Foi impiedosamente moído de pancadas! Seu último suspiro foi um engodo. Morreu aqui na Terra, mas seu sofrimento mudou de nível. O cheiro de carne queimada; os urros de dor; o som de sangue se esvaindo e secando imediatamente. Socos, Murros. Porrada. Dor. Para sempre!

          O dia seguinte no shopping foi de horror indescritível. Mais jornalistas e programas sensacionalistas pressionando a polícia, querendo saber como uma morte daquelas ocorrera em um shopping sem que ninguém notasse. Não havia sequer um osso inteiro no corpo do garoto. Parecia uma minhoca esmagada. Especialistas disseram que foi o maior sofrimento sentido por alguém em todos os tempos. Moído de pancadas, afogado, inúmeras paradas cardíacas...
          Até hoje a Doidinha busca vingança pela morte de Jerimum. Conta-se que ambos costumam aparecer nos banheiros dos shoppings após a última sessão de cinema. Aí tudo pode acontecer!
 

Marcelo Gomes Melo

Cenas da vida no Planeta Terra em um futuro distante

          Pacatos cidadãos da civilização pós-nuclear do nosso  altaneiro país, venho hoje aqui, despido de orgulho e repleto de humildade ante a vossa valorosa e digníssima presença, atrapalhar a vossa importante concentração matinal a caminho de seus trabalhos honestos que lhes garante a sobrevivência tranquila acima da linha da pobreza atual, o que lhes coloca hierarquicamente em posição dominante sobre a casta dos miseráveis excluídos sem razão de viver, à qual me incluo.

          Irmãos da bondade infinita, é confiando nessa característica especial inerente às vossas pessoas que me coloco aqui, nesse aerotrem especial, em pé em frente às vossas pacíficas e inteligentes faces, sem vestimenta especial e muito menos aparelho para reposição de oxigênio reserva, para o caso de alguma falha no casco da nave colidindo com algum meteorito nessa viagem matinal à lua, local em que vocês, com tanta capacidade realizam seus portentosos trabalhos, de importância vital para a colonização do satélite, possibilitando que mais planetas sejam descobertos, colonizados e mais moradias para os mal aventurados como eu.



          Caros terráqueos de família milenar como a minha, mas que conseguiram adequar vossas capacidades às novas necessidades com destreza e merecimento nesse século XXXVI, pós Era dos pastores dignitários presidentes, ao contrário de mim, pobre coitado de casta inferior a quem a sorte não bafejou e hoje apela para vossos corações de titânio de última geração, que lhes proporciona viver bem mais e melhor, por bombear pelos seus corpos saudáveis sangue e micro-organismos de regeneração constante das células, que me ouçam por mais alguns macro segundos lunares, o que nessa órbita equivale a uns sete minutos na contagem antiga de tempo.

          Senhoras e senhores da diretoria plasmática sensorial, pretendo afirmar aqui, tocando com a palma da mão direita no aparelho detector de mentiras espacial instalado em cada um desses trens espaciais por nosso amado governo, entendido na arte de mentir e na de detectar a mentira alheia, que sou honesto, trabalhador, pai amoroso e marido colaborador; caridoso e fanático doador de boa percentagem do que consigo amealhar como prova de fé e camaradagem.
 

          Eu sou engenheiro de formação. Desempregado ainda antes da Quarta Guerra Mundial, após curtir o seguro desemprego do nosso amado governo tentei formar minha micro empresa de carrinhos de cachorro quente, mas fali quando o governo proibiu o uso de proteína animal e derivados, bem como o glúten; além disso, os carrinhos não podiam atrapalhar a circulação pela calçada dos três trilhões de habitantes da Terra à época. Entendi, e falido, durante a guerra fui motorista de ambulância no front, carregando soldados vitimados pelos gases venenosos inimigos, usando apenas luvas de boxe e uma máscara de gaze. Eis a razão pela qual tenho uma perna paralisada, perdi o olho e minha voz soa ligeiramente metálica, graças ao dispositivo que recebi do INSS para instalar na garganta e recuperar parcialmente as cordas vocais.

          Pois bem, irmãos amigos, nada disso me parou, e hoje estou aqui dignamente lhes pedindo uma valiosa colaboração e ajuda para sustentar minha família, adquirindo essas balas e chicletes de legumes frescos, sem açúcar ou sal, maléficos à saúde, contendo o elemento magma 12, retirado dos vulcões do planeta Vênus e que ajudam a polir os dentes de ossos de brontossauros jovens inquebráveis da lua de Saturno que todos vocês usam e que os fazem tão belos! Tenho também chocolate azul sem cacau ou aditivos que prejudiquem a visão, com flocos de jiló puro. Aceito cartão de crédito e dinheiro vivo. Tenho gaiolas para manter o dinheiro vivo confortável em meu bolso, não se preocupem.

          Quem puder me ajudar, Deus abençoe; quem não puder, abençoe da mesma forma. Saibam que lhes desejo em dobro tudo o que tão gentilmente me desejarem. Logo,logo serei ejetado para o próximo meteoro terminal de trens, então me despeço emocionado com a vossa contribuição. Fui!

 

                      Marcelo Gomes Melo
 

Para ler e refletir

A permanência sob os temporais           Eu quero permanecer sob a chuva, o mundo está tremendo como os meus sonhos. Aturd...