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 Aula de inglês na visão de um grande guru


Desde que Friedrich Nietzsche declarou “Deus está morto”, a palavra mais interessante da língua inglesa, de acordo com Osho, guru do incorreto espiritual é *fuck.

Fuck é uma palavra mágica; através da própria sonoridade descreve dor, prazer, ódio e amor. Na linguagem, encaixa-se em várias categorias gramaticais.

Pode ser utilizado como verbo transitivo: “João fodeu Maria”; e intransitivo: “Maria foi fodida por João”; como substantivo: “Maria é uma bela foda”. Também pode ser usado como adjetivo: “Maria é linda e foda!”.

Como podem ver, não existem muitas palavras com a versatilidade de *fuck. Além do significado sexual há também os seguintes usos:

- ignorância: “Foda-me se eu souber!”;

- problema: “Acho que agora estou fodido!”;

- fraude: “Me foderam na loja de carros usados!”;

- agressão: “Vá se foder!”;

- desagrado: “Que porra é essa?!”;

- dificuldade: “Não entendo essa porra de trabalho!”;

- incompetência: “Ele é um arrombado inútil!”;

- suspeita: “Que porra você está fazendo?!”;

- alegria: “O dia foi muito foda!”;

- exigência: “Dá o fora dessa porra!”;

- hostilidade: “Vou arrancar sua cabeça fodida!”;

- saudação: “Como vai, porra?”;

- apatia: “Quem se importa com essa porra...”;

- inovação: “Pegue o martelo mais foda”;

- surpresa: “Cacete! Que susto da porra!”;

- ansiedade: “Hoje será um dia fodido!”;

E também é muito saudável se todo dia você fizer como uma meditação transcendental; logo quando acordar, a primeira coisa a fazer é repetir o mantra: “Vá se foder!” por cinco vezes. Isso ajudará a limpar a garganta.

*Osho é um grande guru; consulte todos os significados para a palavra fuck no dicionário de inglês.

          Marcelo Gomes Melo
 Osho, em "The great pilgrimage: from here to here"
Fonte: canal Osho international no youtube
 
           

 

 

 

 

 

           

Champagne em caso de amor perpétuo

          Ela demorou tanto que eu cheguei a confrontar o meu imaginário para questionar se existia de verdade!

          Raios! Olhei tanto o relógio que o desgastei, e hoje vejo o horário no celular. Tomei tanto milk-shake de diversos sabores que a garçonete começou a me olhar estranho, como se eu fosse algum tipo de criança grande fominha. É que ela, a garçonete, não sabe que só bebo do Porto quando brindo ao que está por vir, estampado nos olhos raros da minha amada imortal.

          Ela demorou tanto que as flores de plástico na prateleira da loja de enfeites em frente ao parque desbotaram de tristeza por me verem atarantado. Essas flores não sabem que só tomo conhaque quando o corpo dela se afasta e neva em meu pensamento!

          Acho que dei mais de mil passos, de um lado para o outro, mãos nos fundos dos bolsos, o olhar a laser varrendo cada canto possível, esquinas marotas, pregam peças o tempo todo; surgem belas aos montes, sereias dispostas a hipnotizar a qualquer homem. Mas eu não sou um homem qualquer.

          Essas delícias quando surgem, cruzando as esquinas, não fazem ideia de que só tomo uísque se o mundo acabar!

          Tenho absoluta certeza de que isso é um teste para sentir que o meu coração aguenta. Comí um cachorro quente, um saco de pipocas e li a bula de um remédio! A moça da sorveteria me olhava por baixo dos longos cílios, sorria maliciosamente, pensando quase que em voz alta: “esse cara vai engordar quinze quilos antes que a mulher de sua vida apareça como a lua...”.


          Sim, o dia acabava, e eu sentado num banco de madeira, no parque, observando a areia, os brinquedos e os últimos raios de sol, olhos baixos. Foi então que os céus se abriram e os sons de romance brotaram! Vi os sapatos pequenos, azuis como o vestido. Vi o sorriso largo e os quadris rebolando, naquele ritmo suave que me faz apertar os olhos, repleto de expectativa. Ergo meu queixo, arrogante, mordo o lábio inferior, mas ela nem se dá conta. Mantém um sorriso e faz o caminho, sem pressa, sem entender, cada segundo é vital!

          Depois de um milênio ficou ao alcance de um beijo, mas sou teimoso e, em pé, a um passo do precipício, silenciei. Deixei meu olhar acariciar-lhe o corpo todinho, de cima em baixo, e sorrindo, deixei que, na ponta dos pés, apoiasse as mãos no peito e beijasse com gosto. Sabia como fazer!

          Eu a sentei em meu colo, e meio atrapalhado busquei a caixinha de veludo em meu bolso. Aquele olhar me avaliava, com satisfação em seu lindo rosto?

 
          Os últimos raios de sol refletiram-se nos anéis, quando ela abriu a caixinha. O ar de surpresa fingida continha mais certeza do que a minha apreensão. Não precisava palavra alguma para descrever. Suspiros não têm marca.
          E ela sabe que eu só bebo champagne em caso de amor perpétuo.
 
                         Marcelo Gomes Melo
    Melancolia e infinita tristeza

          Metrô cheio às seis da tarde. Calor. Felizmente o ar condicionado funciona, dessa vez, e o condutor o mantém ligado. A viagem é longa, em torno de quarenta minutos até o destino final, e nada melhor a um observador contumaz da natureza humana do que verificar, como passatempo, as reações dos passageiros ao redor, cada um deles com seus problemas, ansiedades, alegrias e particularidades.

          Pelo horário, o vagão lotado continha uma amostragem boa dos componentes de uma sociedade metropolitana: estudantes, trabalhadores, aposentados, desempregados, jovens, idosos, adultos... Um verdadeiro extrato do que é uma cidade grande.

          Em comum, uma grande quantidade de pessoas, em pé ou sentadas, manejando seus smartphone com destreza, absortos em seus jogos, conversas virtuais, vídeos, música ou tudo isso ao mesmo tempo, completamente alienados ao que acontece à sua volta. Parece que as pessoas andam desconectadas de sua humanidade, atualmente.

          Alguns ainda trocam algumas palavras entre si, num arremedo de conversa; geralmente usam palavras de baixo calão em cada frase incorreta, como se lhes faltasse vocabulário para uma conversa amena através do uso informal da língua sem recorrer ao linguajar chulo, ofensivo a quem não gosta e nem precisa ouvir aquele tipo de conversa.

 

           Uma pessoa ousava ler um livro! Sim, uma jovem, em pé, equilibrava-se entre a bolsa e o livro e, tranquilamente lia, não importa se de autoajuda, física nuclear ou romance. Ela estava lendo! Adquirindo conhecimento! Uma flor entre os espinhos, incólume, reafirmando a convicção dos esperançosos de que ainda há salvação para que a história do mundo continue. Ah, ela afasta os cabelos por um segundo, deixando entrever o fone de ouvido... Mas, tudo bem, pelo menos ela estava lendo, também.
          Por fim fixei a atenção em uma mulher de meia idade, próxima à porta. Uma pessoa comum, vestida discretamente, sem maquiagem e com os cabelos um tanto maltratados, claramente por falta de tempo ou de motivação, como tantas outras mulheres trabalhadoras com filhos, casa e família para cuidar. E sem ser feia!
          O que despertou a atenção foi algo em seu olhar distante, sem brilho, quase revelando pensamentos rotineiros misturados a cansaço físico, desânimo com a vida. Apenas existindo. Seus lábios, selados, sem vontade alguma de entreabrir-se, fosse para falar, sussurrar ou meramente roçar a língua sobre eles, umedecendo-os. Se alguém lhe dissesse, naquele momento, para sorrir, provavelmente receberia de volta uma expressão de espanto, como se desconhecesse o significado da palavra.
          Aquela melancolia enternecedora me atingiu em cheio. As pessoas andam abdicando de viver em comunhão para viver em conexão. Cada vez mais se afastam de outros seres vivos e presentes em troca de comunicação instantânea, mas inerte, na qual o contato faz falta e enlouquece. Até que deixe de ser importante e nos tornemos ciborgues de carne e osso, sem emoções, que de tanto serem internalizadas acabem se perdendo em algum lugar dentro de nós, sem volta.
 
          Causou-me uma vontade gigantesca de me aproximar daquela desconhecida tão sozinha na multidão, oferecer-lhe um sorriso e a minha melhor frase: “Não se preocupe, tudo vai dar certo!”, parodiando Bob Marley. Talvez isso melhorasse o humor dela. E o meu.
          Enquanto pensava, parte da população que sou, entre ir ou não ir, respondi a mim mesmo, “melhor não”.
          O metrô parou na estação, as portas se abriram e ela sumiu na multidão. Para sempre. Levou consigo parte da inquietação do mundo. A outra parte ficou comigo.
Smashing Pumpkins
 
                                 Marcelo Gomes Melo

Nocivo para quem pensa



          Ano após ano

          Namoramos

          Nos aproximamos, nos afastamos

          Sofremos quando brigamos

          Repartimos, compartilhamos

          Sorrimos, acusamos

          Ano após ano
 
          De perto nos acalmamos
          De longe nos alarmamos
          Não queremos, nos irritamos
          Prometemos, falhamos
          Com o desejo nos confrontamos
 
          Com o prazer nos acostumamos
          Sem esmorecer
          Ano após ano
          Viver por viver
          Se nos desencontramos

          Ano após ano
          Somos caso de polícia
          Pedido de auxílio à lista
          Alternância entre conquistador
          E conquista
 

          Ano após ano
          Nos odiamos, nos queremos
          E de uma hora para outra
          Envelhecemos...
 
          Mas quem disse que
          Envelhecer é veneno?
          Que as coisas mudam
          E tudo deixa de ser pleno
 
          Envelhecer, envelhecemos
          E tudo continua maior do que antes
          Será a isso o que chamam de
          Eternidade?
"...While he remains awake / Writing melodies from hell"
 
                                Marcelo Gomes Melo


Inexplicável ausência de entendimento

 
Oh, montanha secular
Onde as temeridades se acumulam
A neve sob o luar embevece tanto o olhar
Quanto o medo estremece e tira o ar
Em um andaime no trigésimo andar
*
 
Morro um pouco mais todo dia
Conformado
Por me sentir eternizado
Na poesia
Entre suas coxas
*
 
Vitimado incessantemente
Pelas mazelas da vida
O homem agradece os bons momentos
Com apenas um gesto cansado
 
Sem você
Para que os arroubos adolescentes
Se a fraqueza é o destino
Dos materialistas condescendentes
 
Não se sabe até onde
As solas dos sapatos aguentarão
Até que o grito dos massacrados
Cessem
Luz tardia para os perdidos convictos
É emoção prévia para desvalorizados
Céticos
Uma inexplicável ausência de entendimento
                       
                                           * fotos de Howard Chen
           Marcelo Gomes Melo
 

Para ler e refletir

A permanência sob os temporais           Eu quero permanecer sob a chuva, o mundo está tremendo como os meus sonhos. Aturd...