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                                       Um ciclo

          Quem foi o homem que pegou a cabra que cruzou com o bode, que tirou cabrito, que comeu a relva, que pegou o leite, que encheu o balde, que levou à feira, que vendeu ao povo, que alimentou a criança, que cresceu com força, que virou atleta, que lutou com raça, que treinou com gana, que ganhou medalha e alegrou o povo, que o recebeu de volta, e o tornou herói, que ficou famoso, e participou de festas, e conheceu puxa-sacos, que lhe deram coisas, lhe fizeram fútil, e lhe aguçaram o orgulho, cobiçaram seus bens e apresentaram moças, que o exploraram e lhe tornaram bêbado, lhe introduziram vícios que o dominaram, e o fizeram frio, comprador de coisas, enganador de gente, e esqueceu família, e se meteu no jogo, e fez aposta errada, e perdeu tudo o que conquistara, e foi abandonado pelos falsos amigos, e ficou doente, e voltou para casa, no antigo bairro da cidadezinha, e precisou de leite para recuperar-se, e apelou aos pais para voltar à feira e adquirir o leite, que veio do balde, da velha fazenda, pelas mãos cansadas de um homem velho, que tinha uma cabra, que lhe dava leite em troca de alimentos...
                                          Marcelo Gomes Melo
 
 

          Quem foi, mãe, quem foi? Quem foi, pai? Quem foi?

 
                  A arte de comunicar (se)

“Mineirim”

          “Sapassado era sessetembro. Táveu na cuzinha tumano uma pincumel e cuzinhanu um kidicarne cum mastumate pra fazê uma macarronada cum galinhassada.

          Quascaí de susto quano ouvi um barui didenduforno, parecenu tidiguerra. A receita mandopô midipipoca denda galinha prassá. O forno isquentô, umistorô e o fiofó da galinha ispludiu. Nossinhora! Fiquei branquinem lidileite.

          Foi um treim doidimais, sô! Quascaí dendapia. Fiquei sensabê doncovim, proncovô, oncotô. Oi procevê quilocura! Grazadeus ninguém simaxucô”.

          O texto acima é a transposição literal da manifestação de alguém que desconhece a forma culta do idioma, conseguindo tranquilamente através da maneira informal de utilização da língua expor os seus pensamentos, baseando-se em seus conhecimentos pessoais e experiência de vida.

          A linguagem oral é diferente da modalidade culta, dependendo do conhecimento do indivíduo falante, o que não inabilita a ação comunicativa. A obtenção da capacidade de utilizar a norma culta da língua portuguesa é primordial para que todos os falantes se incluam socialmente em igualdade de condições, de compreender e argumentar com riqueza de detalhes, participando ativamente do crescimento da sociedade.

          Aproveite para exercitar o seu conhecimento culto da língua, transpondo o texto acima, encontrado na internet, para a forma gramaticalmente correta. Divirta-se!

 
                                            Marcelo Gomes Melo
 

           Entre o apelido carinhoso e a discriminação

          Há quem assuma o apelido com o qual foi agraciado e o julgue carinhoso e, ainda por cima, melhor do que o nome de batismo, horrível e constrangedor, fruto de uma verdadeira maldade por parte dos pais, que misturam nomes, homenageiam ídolos, às vezes até estrangeiros, santos e sabe-se lá mais o quê. Há quem odeie e ache o apelido uma forma pejorativa, degradante e vergonhosa, reagindo com impropérios e violência a cada momento em que o mesmo vem à tona em sua presença.

          O povo brasileiro gosta de apelidar, carinhosamente ou não, e isso tem sido comum através dos tempos. Pode-se contabilizar inúmeros “zóio”, “bigode”, “magrão”, “cabeção”, “zoreia”, “gordo”, “neguinha”, “gaguinho”, “japa”, “ceará”, “baiano”, “mãozinha” e muitos outros; todos os donos cientes e respondendo prontamente às respectivas alcunhas sem nenhum tipo de mal estar ou problemas de baixa estima.

          Muitos fazem questão de incluir o apelido oficialmente ao nome da certidão tencionando obter vantagem política ou artística. Músicas foram feitas exaltando ou não personagens famosos através de apelidos, como nas cantigas de escárnio e maldizer no gênero lírico da literatura romântica.

          Apelidos procuram destacar determinadas características, ou ironizar a falta delas; tratar com extremo carinho (em português geralmente utiliza-se o diminutivo), ou com respeito, indicando poder (acontece no aumentativo). Isso faz parte do estilo de um povo. Sorrir, expressar-se usando criatividade pura, muitas vezes até contrariando as regras gramaticais vigentes ( houve um jogador de futebol brasileiro cujo apelido continha, na mesma palavra, sufixos no aumentativo e no diminutivo: gatãozinho).

          De uns tempos a esta parte, no entanto, a utilização de apelidos ganhou um risco muito grande, que é a sombra da discriminação. Em tempos de intolerância social, racial e total, todo mundo, até os donos dos apelidos, precisam policiar-se, pois há uma linha tênue separando o carinho e a brincadeira do insulto passível de processo e punição.

          Qual é o limite para não exagerar e ser crucificado por todos? Como saber quando é uma forma de mera referência ou quando a intenção é humilhar, desmerecer, diminuir e destruir a autoestima. Geralmente a utilização dos apelidos  acompanham vários outros sinais que podem ser usados para compreender a intenção do interlocutor, como a tonalidade da voz, o gestual e seus maneirismos físicos; mas isso é tudo muito subjetivo.

          Na dúvida todos estão preferindo chamar o amigo pelo nome de batismo, por horroroso que seja e sem se importar que o amigo abomine a própria graça, em vez de arriscar receber um processo seguido de prisão.

          Não há mais “Pelé” ou “Garrincha”, apenas jogadores com nome e sobrenome; só falta agora extinguirem palhaços de apelidos “Bozo” e “Carequinha”, e chamá-los pelos registros em certidão de nascimento. Estará a intolerância vencendo a batalha? Sinal dos tempos, amigos, sinal dos tempos.
 
                                             Marcelo Gomes Melo

Para ler e refletir

A permanência sob os temporais           Eu quero permanecer sob a chuva, o mundo está tremendo como os meus sonhos. Aturd...