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  PROJETO FESTIVAL DE POESIAS 2014

“Amores de todas as cores”
I – Do projeto
Inserido nos gêneros artes/mídias, literatura e estudo, e utilizando-se dos recursos multimodais, o Festival de Poesias visa instigar e possibilitar a produção original de textos poéticos por parte dos alunos, tanto do ensino fundamental quanto do ensino médio, de maneira livre e criativa.
Para que tais objetivos sejam alcançados, faz-se imprescindível um suporte interdisciplinar por parte dos professores durante suas aulas, interligando cada conteúdo específico à poesia de todos os estilos, fomentando a pesquisa e a criação de textos individuais. Durante o período de inscrições, oficinas de poesia serão oferecidas incidentalmente com professores e poetas convidados para prestar auxílio e orientações.
II – Do regulamento
Estarão aptos a participar do Festival de Poesias todos os alunos devidamente matriculados e frequentes na Unidade Escolar, inscrevendo-se em seu respectivo nível, a saber:
Nível I: alunos de sexto e sétimo ano, ensino fundamental;
Nível II: alunos de oitavo e nono anos, ensino fundamental;
Nível III: alunos de primeiro, segundo e terceiro anos, ensino médio.
Os textos poéticos deverão ser originais, produzidos pelo aluno-poeta e entregue em três vias, digitadas em tamanho 14, fonte Times New Roman, espaçamento 1,5, dentro do período de recebimento de inscrições pré-estipulado.
Não serão aceitos trabalhos após a data limite.
Os textos reconhecidos pela banca examinadora como plágio, parcial ou completo, estarão automaticamente excluídos do Festival, sem direito a recurso.
A inscrição é gratuita, cabendo ao aluno-poeta apenas a entrega, no ato da mesma, as três vias do poema em papel sulfite A4 ou através do formulário de inscrição no blog.
III – Das inscrições
As inscrições serão iniciadas em17/03/2014 e se efetivarão através do preenchimento do formulário contendo:
Nome completo, série, e-mail, nome da poesia, arquivo contendo o texto original.
O encerramento das inscrições se dará no dia 10/04/2014, impreterivelmente.
IV – Do julgamento
Encerradas as inscrições inicia-se a fase de pré-julgamento das poesias, realizada por uma bancada de professores que analisarão:
- originalidade e ineditismo;
- desenvolvimento do tema;
- linguagem utilizada (culta/informal) dentro da proposta observada;
- criatividade e estética.
Para cada item serão atribuídas notas de zero a dez, que somadas definirão a nota do aluno-poeta. Os três textos que atingirem as notas mais altas em cada nível serão os finalistas, apresentados ao vivo na cerimônia de premiação, recitados pelo autor ou algum aluno indicado por ele, previamente.
Caberá à bancada julgadora, através de votação escolher a ordem dos textos premiados, conforme notas de zero a dez, incluindo eficiência na leitura.
V – Da premiação
A premiação simbólica se dará na cerimônia de apresentação dos textos finalistas, a saber:
- Entrega de certificados personalizados para cada participante, finalistas ou não;
- Entrega de premiação simbólica aos três primeiros colocados.
 
Produção de um caderno com todas as poesias produzidas e seus respectivos autores para fazer parte do acervo particular da escola, preservando para a posteridade os trabalhos realizados.
                          Marcelo Gomes Melo

 

                          Amores de todas as cores


Amplie o seu modo de pensar. Abandone as definições protocolares sobre o que é o amor e de como é amar. Desenvolva o talento da permissão; permita a si mesmo deixar fluir o pensar, o ser e o pertencer. Conecte-se ao universo partícula por partícula! Desligue-se do que é padronizado, afaste-se dos impulsos de excluir, de discriminar por opiniões diferentes, posicionamentos políticos contrários, opções sexuais divergentes, tom de pele ou linguajar diferenciado... Simplesmente inclua-se. Ouça e entenda, antes de falar. Compartilhe ao invés de dividir; conteste sem afastar. Desfrute das cores, dos sonhos, da vida! Os números são infinitos.

O amor é resiliente, é a cola que une as partículas, a ponte que intermédia as atitudes, é a chama da autoestima e  não cobra por isso. Não é preciso nada além de se fazer presente e deixar o amor se apossar, corpo e alma, diluindo decepções, pondo de lado recalques, substituindo tristezas.

Os amores de todas as cores, de todos os sons, de todas as nuances, gratuito, desprovido de impostos, incorruptível, com todos os seus artifícios. O amor paterno. O amor materno. O amor a Deus. O amor sensual, sexual; o amor pela natureza. O amor pelos animais, pela vida, pelo trabalho. O amor pelos esportes, o amor próprio... Enfim, todo amor é instrutivo, é saudável, construtivo e viável. Se não o for, não é amor.

Conscientize-se de que é importante falar, escrever, ler, agir, expressar todo esse amor; como paliativo às dores, alternativa à intolerância e demonstração cabal de que um gesto, um pensamento, uma atitude são essenciais para controlar o universo, particular e coletivo.

Fale de amor, sinta! Ame! Feliz dia internacional das mulheres!

 
                              Marcelo Gomes Melo


                                Paus e pedras podem quebrar meus ossos, mas palavras...


           Era um garoto dificultoso, o Trapizomba. Moleque chato, irrequieto, hiperativo, com sua voz esganiçada e falta de educação perene... Sempre se intrometendo nas conversas, de adultos e jovens, indiscriminadamente, o que fazia dele, mesmo tão jovem, persona non grata no bairro. Os pais, coitados, o admoestavam como podiam; até aplicavam-lhe algumas surras de vez em quando, típicas de pais preocupados, mas que não apresentavam utilidade alguma, porque Trapizomba não melhorava, e parecia ter couro de jacaré; apenas piorava o já nocivo comportamento social. Já podia ser considerado, sem dúvida, o inimigo público número um do povo!

          Trapizomba era articulado como um político corrupto, em seu modo falho de usar a língua pátria. Criara um slogan ninguém sabia de onde e o repetia após qualquer represália sofrida, sempre após se colocar a uma distância segura dos agressores: “Paus e pedras podem quebrar meus ossos, mas palavras não me atingem”. E isso irritava ainda mais!

          No colégio ele puxava os cabelos e roubava as piranhas das meninas, pedia pedaços de sanduíche, goles de refrigerante... Enchia a paciência até apanhar. Então chorava, fazia escândalo, e quando era libertado colocava-se logo a uma distância segura em que pudesse correr, só para provocar e debochar dos algozes. “Paus e pedras podem quebrar meus ossos...”.

          Certa vez Trapizomba atrapalhou tanto a uma reunião dos colegas de colégio que tentavam jogar vídeo game na casa de Antonio, um de seus amigos de classe, que este desfiou por completo uma passadeira da mãe dele só para enforcá-lo numa arvorezinha do quintal.

          “NÃO, TOTOINHO, EU VOU MORRER!”, ele urrava com a voz engasgada, olhos esbugalhados, enquanto era içado pela corda improvisada.  A chegada da mãe de Antonio o salvou, e ele correu para a rua massageando o pescoço; ao chegar à esquina, considerando um local seguro, passou a dançar e repetir seu bordão com a voz irritante, avacalhando com os garotos até provocar uma perseguição.

          Na mercearia do “seu Fagundinho” Trapizomba amassava as frutas e mordia algumas, largando depois entre as outras; derrubava legumes e saía chutando tubérculos pelos corredores, narrando partidas de futebol, empurrando os carrinhos dos clientes para os lados e furando as embalagens. Quando “seu Fagundinho” aparecia esbaforido, ele fugia para a rua, e se punha a rebolar enervando o dono da mercearia berrando seu bordão até ficar vermelho.

          O garoto costumava atormentar a freiras, padres, jovens e adultos igualmente. Nessa época não havia bullying nem direitos unilaterais, proteção a delinquentes nem direitos humanos apenas para corruptos desprovidos de caráter; tampouco justiça com as próprias mãos, mas parecia que as adversidades desse tipo eram bastante menores. E as más atitudes de Trapizomba não eram nem de longe tão graves quanto as praticadas hoje em dia por muitos garotos na mesma faixa etária.

          Trapizomba sofria as punições por suas pequenas maldades imediatamente, quer fosse através de gritos e xingamentos por parte dos adultos, quer fosse através de cascudos e rasteiras por parte dos colegas; ás vezes também sofria a justiça divina, coisa que nos dias atuais não funciona com bandidos, sacanas e afins, de forma nenhuma.

          A punição divina em questão foi assim tratada por todos justamente porque tinha a ver com o slogan filosófico usado pelo famigerado Trapizomba: “Paus e pedras podem quebrar meus ossos, mas palavras não me atingem!”. Ao entrar na loja de materiais para construção com o intuito de perturbar a paciência alheia, o garoto não percebeu que o dono havia mandado reformar a fachada, e num andaime acima da porta muitas letras enormes, de madeira e blocos de mármore se acumulavam, para serem inseridas pelos pedreiros na nova fachada. Ao ser expulso pelos clientes da loja, Trapizomba voou para a porta, gargalhando, até ser interrompido por uma das vigas que sustentavam o andaime, metendo a cara e se estourando no chão. Automaticamente o andaime cedeu e o soterrou com as pedras e as letras de madeira que formavam o nome da loja: “VEM QUE TEM!”.

          E dessa vez Trapizomba percebeu que as palavras também o atingiam, de uma forma ou de outra.
                                      Marcelo Gomes Melo
 

Para ler e refletir

A permanência sob os temporais           Eu quero permanecer sob a chuva, o mundo está tremendo como os meus sonhos. Aturd...